Câncer de intestino: brasileiros reconhecem sinais de alerta, mas não buscam atendimento

Estudo mostra que, apesar de identificarem sinais como sangue nas fezes, quase metade das pessoas que apresentaram o sintoma não procurou atendimento

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Pesquisa aponta que muitos brasileiros reconhecem os sintomas do câncer de intestino, mas ainda deixam de procurar atendimento médicoImagem: Freepik
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Embora a maioria dos brasileiros reconheça que sangue nas fezes pode indicar um problema grave, esse conhecimento nem sempre leva à procura por atendimento médico. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Hospital A.C. Camargo, em parceria com a Nexus, que analisou o nível de conhecimento da população sobre o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino.

O levantamento mostra que 67% dos entrevistados associam a presença de sangue nas fezes ao câncer de intestino, enquanto 80% consideram esse um sinal de gravidade. Apesar disso, a conscientização não tem sido suficiente para estimular a busca por diagnóstico precoce.

Segundo a pesquisa, 9% dos participantes afirmaram já ter notado sangue nas fezes em algum momento da vida. Entre esse grupo, quase metade não procurou atendimento médico para investigar a causa do sintoma. Especialistas alertam que o atraso na avaliação médica pode reduzir as chances de identificar a doença em estágios iniciais, quando as possibilidades de tratamento e cura são maiores.

O tema ganhou maior visibilidade após a cantora Preta Gil compartilhar publicamente sua experiência com o câncer colorretal. Ela revelou que, antes do diagnóstico, apresentou sintomas como prisão de ventre persistente, sangue nas fezes, presença de muco e alteração no formato das fezes, mas demorou a buscar atendimento.

Casos aumentam entre pessoas mais jovens

Outro dado que preocupa os especialistas é o crescimento da incidência da doença entre pessoas com menos de 50 anos. No estado de São Paulo, os casos de câncer colorretal nessa faixa etária aumentaram, em média, quase 3% ao ano entre 2000 e 2023.

Ainda não existe uma explicação definitiva para esse avanço, mas pesquisadores apontam que fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e outros hábitos, podem estar associados ao aumento da doença entre adultos mais jovens.

Exame ainda é pouco conhecido

A pesquisa também revelou que a maioria da população desconhece um dos principais exames utilizados para o rastreamento da doença. Cerca de dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do FIT (teste imunoquímico fecal), exame que identifica a presença de sangue oculto nas fezes, mesmo quando ele não é visível.

O teste é considerado uma ferramenta importante para a detecção precoce do câncer colorretal e pode indicar a necessidade de exames complementares, como a colonoscopia.

Novo protocolo no SUS

A expectativa é que o acesso ao rastreamento seja ampliado nos próximos meses. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) deve divulgar um novo protocolo nacional para o rastreamento do câncer colorretal, que prevê a oferta do exame FIT pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde, pretende beneficiar mais de 40 milhões de brasileiros com idade entre 50 e 75 anos, ampliando as oportunidades de diagnóstico precoce e contribuindo para reduzir a mortalidade causada pela doença.

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