Moraes e esposa usaram avião ligado a Daniel Vorcaro, aponta relatório da PF

Aeronave utilizada pelo casal pertencia a uma empresa ligada ao ex-dono do Banco Master; escritório de Viviane Barci afirma que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 6 Min Leitura
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Os documentos divulgados não esclarecem se a transferência das cotas das aeronaves chegou a ser concretizada
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, viajaram em agosto de 2025 em um avião ligado a uma empresa que tinha Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre os sócios. O voo ocorreu em 22 de agosto, com destino ao Rio de Janeiro, e foi feito em um Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR.

Imagens divulgadas pela coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, mostram Moraes e Viviane desembarcando da aeronave no Aeroporto Santos Dumont. Segundo o jornal, o avião pertencia a uma empresa ligada a Vorcaro.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, ligada a Vorcaro. O escritório negou, porém, que Moraes, Viviane ou outros integrantes tenham viajado com o banqueiro ou pessoas ligadas a ele.

A defesa também declarou que a contratação dos serviços segue critérios operacionais e não representa vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores. Segundo o escritório, a escolha das aeronaves cabe às empresas de aviação contratadas.

Relatório da PF cita contrato de R$ 50 milhões

O avião utilizado pelo casal também aparece em um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do STF.

Segundo o documento, a aeronave é citada em negociações relacionadas a um segundo contrato de R$ 50 milhões entre o escritório de Viviane Barci e uma empresa ligada a Vorcaro, a Viking Participações. O valor seria adicional a um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões já conhecido entre o escritório e o Banco Master.

O documento foi localizado pela PF em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares, que trabalhava para o então banqueiro.

A minuta tratava de uma prestação de serviços e honorários advocatícios, incluindo consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, além de atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público e em processos judiciais.

O contrato previa pagamento em 36 meses por transferência bancária da Viking para o escritório ou por meio de dação em pagamento, com possibilidade de utilização de bens imóveis, móveis ou serviços para quitar os valores.

Aeronaves aparecem nas negociações

Em uma conversa de 16 de maio de 2025, Leonardo Palhares teria apresentado a Vorcaro duas propostas para o pagamento do contrato. Uma delas previa que R$ 40 milhões fossem quitados por meio da entrega de cotas de duas aeronaves, enquanto os R$ 10 milhões restantes seriam pagos por meio do reembolso de despesas relacionadas ao uso dos veículos.

De acordo com a PF, os ativos estavam vinculados às empresas F24 e F53. A primeira era responsável pelo Legacy 650 de matrícula PP-NLR, enquanto a segunda estava em processo de aquisição de um helicóptero Airbus Helicopters EC 155 B1.

As duas empresas faziam parte da estrutura da Prime Aviation. Segundo o relatório, um dos sócios de Vorcaro, identificado como Marcos, informou ao banqueiro que as aeronaves já eram utilizadas pelo ministro Alexandre de Moraes e por Viviane.

Os documentos divulgados não esclarecem se a transferência das cotas das aeronaves chegou a ser concretizada. Na Junta Comercial de São Paulo, não foram encontrados registros que comprovassem a transferência.

Conversas citam uso de aviões e helicópteros

O relatório da PF também registra conversas entre Vorcaro e um sócio identificado como “Marcos Prime”. Nas mensagens, eles discutem a transferência das cotas das aeronaves e mencionam o uso dos veículos por Moraes e Viviane.

Em julho de 2025, Marcos informou que a utilização das aeronaves já havia sido liberada e afirmou que o casal havia usado aviões e helicópteros da empresa.

As mensagens também indicam que os detalhes relacionados ao contrato estavam sendo tratados com o advogado Leonardo Palhares.

Em outro episódio, registrado em 9 de julho, Alexandre de Moraes entrou no aeroporto executivo de Brasília às 22h34. Minutos depois, o mesmo Legacy 650, de matrícula PP-NLR, decolou com destino a um aeroporto executivo de São Roque, em São Paulo.

Mensagem de Viviane também aparece no relatório

Horas depois, durante a madrugada, Marcos enviou a Daniel Vorcaro um print de uma conversa que, segundo a PF, havia sido mantida com Viviane Barci.

Na conversa, Marcos perguntou se ela estava satisfeita com a utilização das aeronaves e com o atendimento da equipe. Viviane respondeu que estava gostando da utilização e afirmou que os profissionais que a atenderam foram educados e atenciosos.

Nota do escritório

O escritório Barci de Moraes afirmou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation, e negou qualquer vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves.

Segundo a nota, em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa externa ao escritório. O texto também confirma que, em determinadas viagens, Viviane foi acompanhada pelo marido, Alexandre de Moraes.

O escritório declarou ainda que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation e que não realizou aquisição de cotas da empresa.

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