O Brasil alcançou um marco histórico na área da saúde ao consolidar-se como referência global em doação de medula óssea. O avanço foi possível graças à adoção de um método menos invasivo, em que as células-tronco da medula podem ser coletadas pela veia, semelhante a uma doação de sangue, sem necessidade de cirurgia.
O procedimento é feito após estímulo medicamentoso que aumenta a produção de células-tronco no sangue, permitindo a coleta em máquinas específicas. A alternativa amplia o número de doadores dispostos a participar, já que o processo é mais simples e causa menos receio do que a retirada direta da medula por punção no osso da bacia.
REDOME entre os maiores do mundo
O país já possui o terceiro maior banco de doadores voluntários de medula óssea do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Atualmente, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) reúne mais de 5,9 milhões de voluntários, com financiamento exclusivamente público e coordenação do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Estima-se que a chance de encontrar um doador compatível pelo REDOME seja de até 75%, número considerado alto em comparação internacional. O crescimento é resultado de campanhas de conscientização e da simplificação do processo de cadastro e coleta.
Crescimento e desafios
Segundo dados recentes, houve aumento de 8% nas coletas de células-tronco de medula óssea em 2024 em relação ao ano anterior. Apesar disso, especialistas alertam que a demanda por transplantes cresce em ritmo mais acelerado do que o número de novos cadastros, o que reforça a importância de ampliar a adesão da população.
A possibilidade de doação pela veia é vista como um passo crucial para atrair mais voluntários e reduzir o déficit. O Brasil, agora referência mundial no setor, aposta nesse avanço para salvar milhares de vidas e manter o protagonismo na luta contra doenças hematológicas.




