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SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal em pessoas de 50 a 75 anos

Teste de sangue oculto nas fezes passa a ser protocolo nacional e pode ampliar prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Exame FIT passa a ser o novo protocolo do SUS para rastreamento do câncer colorretal em pessoas entre 50 e 75 anosImagem: Ministério da Saúde/Divulgação
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O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira (21) um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir da medida, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em Lyon, na França. Segundo a pasta, a estratégia pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença, considerada atualmente o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.

De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.

Como funciona o novo exame

O FIT é um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o teste utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, aumentando a precisão dos resultados.

O paciente recebe um kit para coleta em casa e precisa retirar uma pequena amostra das fezes com uma haste própria, colocada em um tubo coletor. Depois, o material é encaminhado para análise laboratorial.

Entre as principais vantagens do exame estão:

* não exigir preparo intestinal;

* dispensar dieta restritiva antes da coleta;

* necessidade de apenas uma amostra;

* método menos invasivo;

* maior adesão da população.

Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

Diagnóstico precoce pode reduzir mortalidade

O oncologista Stephen Stefani afirma que o exame já é utilizado em programas internacionais de rastreamento e ajuda a reduzir a mortalidade por câncer de intestino ao ampliar o diagnóstico precoce.

Segundo o especialista, o FIT também é mais conveniente e mais barato para rastreamento populacional do que realizar colonoscopia em toda a população assintomática.

“As diretrizes hoje recomendam o rastreamento após os 45 anos na população em geral”, explicou. No Brasil, porém, o protocolo anunciado pelo SUS será inicialmente voltado para pessoas entre 50 e 75 anos.

O que acontece após resultado positivo

Quando o exame identifica presença de sangue oculto, o paciente é encaminhado para exames complementares.

A colonoscopia continua sendo considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de possibilitar a retirada de pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

Stefani ressalta que um resultado positivo não significa necessariamente câncer. Hemorroidas, inflamações intestinais e outras condições benignas também podem provocar sangramentos detectados pelo exame.

Por outro lado, um resultado negativo também não elimina completamente o risco da doença, já que algumas lesões pré-malignas podem não sangrar no momento da coleta.

Por isso, diretrizes internacionais recomendam repetir o rastreamento periodicamente, geralmente todos os anos ou a cada dois anos, dependendo da idade e do histórico familiar.

 Desafio será garantir continuidade do atendimento

Segundo o especialista, a eficácia do rastreamento depende não apenas da oferta do exame, mas também da capacidade do sistema de saúde de investigar e tratar rapidamente os casos suspeitos.

Ele destaca que o impacto na redução da mortalidade ocorre quando pacientes com exames alterados conseguem acesso rápido à colonoscopia, cirurgia e tratamento adequado.

“O que reduz a mortalidade não é só o exame, mas cuidar corretamente do paciente quando há necessidade de continuar a investigação”, afirmou.

Quem deve procurar o rastreamento

O novo protocolo vale para pessoas sem sintomas entre 50 e 75 anos.

Pacientes com sinais de alerta, como sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, anemia, alteração persistente do hábito intestinal ou dor abdominal, devem procurar atendimento médico independentemente da idade.

Pessoas com histórico familiar da doença, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas também podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo, conforme avaliação médica.

Segundo Stefani, nesses casos, a estratégia costuma ser individualizada e pode incluir colonoscopia antes da faixa etária prevista para a população geral.

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