Inúmeros portais de notícias pelo mundo todo têm alertado para a possibilidade de agravamento da crise climática no segundo semestre de 2026. Tal fenômeno teria como causa a intensificação do El Niño, além do aquecimento global que ocorre de forma continuada ano após ano. Esse cenário pode trazer consequências severas para o Brasil, com ondas fortes e persistentes de calor e seca nas regiões Centro-oeste, Nordeste e Amazônica, além de um aumento considerável de chuvas volumosas e tempestades extremas no Sul e Sudeste do país.
Colapso do sistema de saúde
Agora em junho, já vimos nos noticiários as ondas de calor que irromperam na Europa, causando centenas de mortes e o colapso dos sistemas de saúde. A maior parte dos casos de hospitalização e morbidade ocorre entre pessoas idosas com mais de 65 anos, dada as características da pirâmide etária da população. São muitos os fatores que se interpõe na realidade vivida nos países europeus que vão desde a concepção estrutural das cidades, a arquitetura das casas que foram construídas para reter calor e não para amenizá-lo até a deformação de trilhos que não foram construídos para suportar um aquecimento tão rápido e brutal.
Desigualdades sociais
Como se pode ver, os desastres climáticos impactam sobremaneira o modo de vida das pessoas. No Brasil, as desigualdades sociais se escancaram tendo em vista a enorme segregação socioespacial que imputa maiores dificuldades aos desfavorecidos, especialmente porque essas regiões geralmente sofrem com maior retenção de calor, pouca vegetação, sistemas de drenagem deficientes, falta de saneamento básico e pavimentação inadequada. Nestes casos, as escolas nestas regiões são atingidas imediatamente, fechando suas portas por motivos os mais diversos: servem de alojamento temporário às vítimas que perderam suas casas; têm materiais, livros didáticos, computadores, documentos destruídos em caso de enchentes; não conseguem atender a população em época de seca por falta de infraestrutura básica, dentre outros.
Dessa forma, evidencia-se uma necessidade premente de que nos preparemos para estes cenários, pensando na infraestrutura de emergência e na flexibilização curricular.
Prevenção
É preciso, dentro do que nos é possível como gestores e professores, pensar em pontos variados de hidratação, construção de cisternas como reservatórios de água, kits de primeiros socorros térmicos, flexibilização de uso de uniformes, acolhimento socioemocional aos alunos, arborização no entorno da escola (por meio da mobilização da comunidade), projetos de conscientização e de planos de fuga em caso de necessidade, promoção de atividades com menor desgaste físico possível. No que diz respeito às políticas públicas, segundo o Ministério da Saúde, devido aos impactos na segurança, abastecimento e saúde pública, o Governo Federal anunciou a ampliação do Força Nacional do SUS (FNSUS). É fundamental que conheçamos os serviços oferecidos e como entrar em contato. A prevenção não irá evitar a crise, mas pode evitar seu agravamento e suas consequências.



