Precisamos falar sobre tecnologia, adaptabilidade e responsividade

O desafio não é apenas “fazer mais tecnologia”, mas fazer tecnologia que respeite e devolva dignidade

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 4 Min Leitura
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Para muitos idosos, a tecnologia ainda representa um desafio. Interfaces mais simples e acessíveis podem ampliar a autonomia e promover inclusão digitalImagem: IA
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A tecnologia, o mundo digital, a inteligência artificial e todos os maravilhosos produtos dessa grande revolução das últimas décadas, se propuseram a ajudar e facilitar a vida das pessoas. Muitas vezes cumprem sua promessa!

Atualmente é possível marcar uma consulta, ter um atendimento médico, pagar boletos, falar com nossos entes queridos, trabalhar, decidir e se divertir tudo de forma virtual e com poucos cliques. Toda essa facilidade nos poupa tempo, nos livra de deslocamentos, trânsito e nos dá mais liberdade e independência. Contudo, essa realidade maravilhosa, não alcança a todos da mesma forma! Muitas pessoas idosas, ainda veem toda a tecnologia e o mundo virtual (celulares, tablets, telas, aplicativos) como uma enorme muralha.
Telas pequenas, menus confusos, senhas complexas, validações em duas etapas, autenticadores, atualizações de aparência, funcionalidades acabam tirando a autonomia dos idosos e obrigando a serem sempre dependentes dos mais novos para conseguir executar o que deveria ser uma tarefa simples.

Cidadania digital

Muitos idosos, não contam com pessoas mais jovens disponíveis para lhes ensinar, com paciência e tempo para atualizá-los. Isso acaba trazendo formas constrangedoras para os idosos, conseguirem ter sua cidadania digital. Para quem não sabe, tarefas simples podem virar longos episódios de frustração.

Nesta perspectiva, as pessoas que pensam, projetam, fabricam e vivem de aperfeiçoar este mundo virtual, precisam sempre considerar a realidade dos idosos. Vejamos alguns exemplos simples que podem fazer a diferença:
Aparelhos celulares mais simples com botões grandes e interface clara podem ser pensados para quem tem dificuldade de visão e de coordenação. São fáceis para ligar, enviar mensagens e receber ajuda. Já existem esses modelos disponíveis no mercado, contudo é importante pensar em aplicativos, sistemas operacionais que se atualizem a esse tipo de hardware.

Teleconsultas

No campo da saúde as teleconsultas com apoio humano — programas de telessaúde que permitem agendamento por telefone e apoio presencial ou por atendente, facilitam a conexão entre paciente e médico sem forçar o uso de apps complexos.

Autonomia digital

Outro ponto que deixa alguns idosos tensos, como a autenticação por biometria e voz, os serviços diversos disponibilizados, devem considerar as dificuldades dos idosos, e viabilizar estratégias mais simples para facilitar o acesso, sempre claro, pensando na privacidade e na segurança.

São inúmeras as possibilidades e os avanços, mas acredito que o desafio para as novas gerações não é apenas “fazer mais tecnologia”, mas fazer tecnologia que respeite e devolva dignidade.
Projetar com idosos desde o início, oferecer modos “fáceis”, priorizar atendimento humano e usar biometria ou voz de forma simplificada e responsiva, são passos simples e eficazes. Quando incluímos quem tem mais dificuldade, beneficiamos toda a sociedade.
A verdadeira medida do progresso digital será quando um idoso conseguir resolver suas tarefas online com autonomia — sem precisar pedir desculpas por não entender uma tela!

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Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
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Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
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