O mapa da violência expõe um Brasil dividido

Oito das dez cidades mais violentas ficam em estados governados pelo PT

Giza Soares
Por Giza Soares 3 Min Leitura
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Levantamento mostra a concentração das cidades mais violentas do país em estados do Nordeste Imagem: Reprodução/Redes Sociais
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O Brasil encerrou 2025 com redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais, mas os números nacionais escondem uma realidade muito diferente em parte do Nordeste. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que os dez municípios com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de violência letal estão na região. Oito ficam na Bahia e no Ceará, estados governados pelo Partido dos Trabalhadores.

Maranguape, no Ceará, ocupa o primeiro lugar, com 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes índice mais de cinco vezes superior à média brasileira, de 19,1. Na sequência aparecem Eunápolis, com 85,1; Maracanaú, com 80,7; Porto Seguro, com 71,2; e Simões Filho, com 68,1. Completam a lista Jequié, Caucaia, Cabo de Santo Agostinho, Santa Rita e Juazeiro.

A Bahia concentra cinco cidades no ranking, enquanto o Ceará reúne três. Pernambuco e Paraíba aparecem com um município cada. O levantamento considera homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais.

Disputa territorial

A presença de municípios administrados por estados petistas amplia o debate político sobre a responsabilidade dos governos na segurança pública. No entanto, o próprio levantamento aponta que a violência nesses territórios não pode ser explicada apenas pela filiação partidária dos governadores.

Rodovias federais, portos, aeroportos e rotas de circulação de drogas transformaram várias dessas cidades em áreas estratégicas para organizações criminosas. As disputas pelo controle territorial envolvem facções locais e nacionais, provocam assassinatos e, em municípios cearenses, chegam a expulsar famílias de suas casas. Porto Seguro também registrou a maior taxa nacional de mortes causadas por intervenções policiais: 32,3 por 100 mil habitantes.

Apesar do quadro grave, dados mais recentes do Ceará indicam redução expressiva dos crimes violentos no primeiro semestre de 2026. Maranguape passou de 39 ocorrências no mesmo período de 2025 para uma; Maracanaú caiu de 77 para sete. Os resultados mostram que políticas públicas podem mudar trajetórias, mas também reforçam que segurança exige continuidade, inteligência, investigação e presença permanente do Estado.

Transformar o ranking apenas em munição eleitoral simplifica um problema que custa vidas. Governadores precisam responder pelos resultados de suas gestões, independentemente do partido. Mas enfrentar a violência também exige desarticular o poder econômico das facções, proteger comunidades dominadas pelo medo e impedir que áreas estratégicas continuem sob controle do crime organizado.

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