O Brasil está entre os dez países que mais avançaram em proficiência educacional entre 2006 e 2025, segundo análise do Ministério da Educação (MEC) com base nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). No acumulado das últimas duas décadas, o país ocupa a 7ª posição em leitura e matemática e a 8ª em ciências entre mais de 50 nações avaliadas.
Apesar da evolução apontada pelo MEC, os resultados do Pisa 2025 mostram que o Brasil ainda enfrenta dificuldades no desempenho dos estudantes. Em leitura e matemática, o país não recuperou os níveis registrados em 2018, antes da pandemia. Em ciências, houve recuperação e superação do resultado daquele período.
Desempenho
Na comparação entre 2018 e 2025, a pontuação brasileira em leitura caiu de 413 para 408 pontos. Em matemática, o resultado passou de 384 para 377 pontos. Já em ciências, houve avanço de 404 para 409 pontos.
Na comparação com a edição anterior do Pisa, realizada em 2022, leitura e matemática registraram queda de dois pontos cada. Ciências teve aumento de seis pontos. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as variações estão dentro da margem de erro da pesquisa e não são estatisticamente significativas.
De acordo com o Inep, o Brasil recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em ciências, além de registrar perdas menores que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em leitura e matemática.
Distância em relação à OCDE
A análise apresentada pelo MEC também aponta uma aproximação do Brasil em relação à média dos países da OCDE. Em leitura, a diferença de pontuação caiu de 102 para 58 pontos ao longo de 20 anos. Em matemática, a distância passou de 131 para 92 pontos. Já em ciências, a diferença diminuiu de 113 para 77 pontos.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos e busca medir a capacidade de aplicar conhecimentos de leitura, matemática e ciências em situações do cotidiano. O levantamento também reúne informações sobre fatores associados à aprendizagem e sobre políticas e práticas educacionais.
Relação com a escola
Outro dado destacado na edição de 2025 é a percepção dos estudantes sobre a escola. Apenas 16% dos brasileiros avaliados consideraram que a escola é uma perda de tempo. O índice representa uma redução de 6,9 pontos percentuais em relação a 2022 e ficou abaixo da média da OCDE, de 24%.
A pesquisa também apontou mudanças relacionadas ao uso de celulares no ambiente escolar. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam matriculados em escolas que tinham restrições ao uso de aparelhos eletrônicos. O percentual supera a média da OCDE, de 49%, e mais que dobra o registrado no Brasil em 2022, quando 37% dos alunos estavam em escolas com esse tipo de restrição.
A mudança ocorre após a aprovação da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de aparelhos eletrônicos pessoais nas salas de aula brasileiras, exceto em situações previstas para fins pedagógicos.
Desigualdade educacional
Apesar dos avanços, o Pisa 2025 também evidencia diferenças importantes no sistema educacional brasileiro. Em ciências, a distância de desempenho entre estudantes de diferentes faixas de renda chega a 96 pontos. Na média da OCDE, a diferença é de 85 pontos.
A frequência às aulas também aparece como um ponto de atenção. Segundo o levantamento, 55% dos estudantes brasileiros afirmaram ter faltado à escola por pelo menos um dia inteiro nas duas semanas anteriores à aplicação do teste. Na média da OCDE, o percentual foi de 22%.
Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, os avanços não devem esconder as desigualdades existentes. Segundo ele, o desafio está em preparar todos os jovens brasileiros para um cenário de maior exigência cognitiva, e não apenas melhorar a posição do país no ranking internacional.
Henriques também considera relevante o fato de os estudantes continuarem atribuindo valor à escola. Para ele, essa confiança pode ser transformada em aprendizagem e em oportunidades.
Qualidade e equidade
O especialista avalia que o Brasil enfrenta dois desafios simultâneos: melhorar a aprendizagem média e reduzir o peso da origem socioeconômica sobre as oportunidades educacionais.
Na avaliação de Henriques, países que conseguiram reduzir o baixo desempenho enquanto ampliaram a aprendizagem demonstram que qualidade e equidade podem avançar juntas. Para ele, a educação pública deve ampliar as possibilidades dos estudantes independentemente da renda, da família ou do território onde vivem.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, também reconhece o avanço brasileiro no Pisa, mas ressalta que ainda existem fragilidades no sistema educacional. Entre os pontos citados estão a infraestrutura das escolas, a alocação de recursos e a qualidade da oferta educacional.
Para Sonia, os resultados mostram que o Brasil avançou nos últimos anos, mas ainda precisa melhorar para alcançar os padrões dos países que integram a OCDE.



