Esta semana, recebi uma mensagem interessante que tratava da longevidade. Ao contrário do que temos lido e que trazem uma visão romantizada da velhice, última estação da vida humana, esse texto aponta uma realidade bastante incômoda. Aborda questões como o etarismo, a solidão, a ausência de apoio de outras pessoas, a sensação de não ter lugar no mundo, as altas despesas com planos de saúde, a falta de mobilidade física e estrutural (no que diz respeito aos espaços que se frequenta) e a indesejada ociosidade.
Todos conhecemos essa realidade. São inúmeras as famílias que tentam se adaptar a essa mudança social. O contexto é absurdamente novo, as circunstâncias também. Ninguém preparou essa sociedade para lidar com esse número gigantesco de indivíduos 60+ e a diminuição da natalidade, em uma verdadeira transformação na pirâmide etária. A questão é saber por que mesmo diante dela, insiste-se em determinar que a responsabilidade por uma vida longa e feliz depende apenas das pessoas idosas.
Políticas públicas de cuidado
No que tange a essa perspectiva, desconsidera-se a necessidade de políticas públicas consistentes de cuidado com esse público, que vão desde o atendimento básico à saúde, à inserção social e vão até a pífia aposentadoria que não dá conta de remédios, alimentação adequada, mobilidade e planejamento urbano, dentre outras tantas prioridades.
É a pessoa idosa que deveria ter guardado dinheiro, pago aposentadoria privada, alimentado-se bem, realizado atividades físicas… Tal expectativa não condiz com a situação financeira da maior parte da população. De acordo com dados do IBGE, cerca de 69,1% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimos (o equivalente a R$ 3.242,00 considerando o piso nacional vigente). Desse total, 1,8% não tem rendimento (auxiliares familiares), 9,4% ganham até meio salário, 21% ganham entre meio e um salário, e 36,9% ganham entre um e dois salários mínimos.
Ações preventivas
Nesse contexto, não podemos nos furtar à reflexão sobre como precisamos alterar o atual contexto, pensando no futuro que queremos para nós mesmos. Educar para a longevidade significa cobrar do Estado políticas consistentes de atendimento aos idosos; implica promover a inclusão desses idosos em seu meio familiar ou na preservação das condições de cuidado que são requeridas nessa idade; observar como podemos superar tais desigualdades por meio de ações preventivas de saúde e bem-estar para todos e todas; compreender que a velhice não pode e não deve ser um problema, mas fonte de aprendizagens e de preservação humana, política, social e cultural.



