Dois estudantes de apenas 12 anos, ligados ao Instituto RAISES, Rede de Apoio, Incentivo e Suporte Educacional e Emocional ao Superdotado, em Brasília, estão prestes a levar seus talentos para um dos ambientes acadêmicos mais conhecidos do mundo. Lucas Freitas e Rafael Kessler receberam convite para participar de atividades acadêmicas e palestrar em Harvard, nos Estados Unidos, ao lado da presidente do Instituto, Robertha Munique.
Lucas atua na área de cibersegurança e já representou o Brasil na China, onde conquistou medalha de ouro. Rafael desenvolveu uma fórmula matemática que, segundo Robertha, foi validada por professores da Universidade de Brasília (UnB).
São pessoas, são crianças”, ressalta Robertha. Para ela, mais do que tratá-los como gênios, é preciso criar oportunidades para que seus potenciais sejam desenvolvidos.
Apoio à viagem
Desde a nossa entrevista, uma novidade mudou o cenário da viagem. A Cotidiano Aceleradora de Startups assumiu o patrocínio privado da ida de Lucas e Rafael aos Estados Unidos. O apoio será apresentado em cerimônia no Palácio do Buriti, com a presença da governadora do Distrito Federal.
Segundo as informações repassadas ao JCF, o patrocínio utiliza exclusivamente recursos privados, sem emprego de verba pública. Como os estudantes são menores de idade, viajarão acompanhados das mães.

Para a presidente do Instituto RAISES, o apoio mostra como a iniciativa privada também pode contribuir para transformar potencial em oportunidade.
Além do talento
Criado há menos de um ano, o Instituto trabalha com crianças, adolescentes e adultos com altas habilidades ou superdotação e também acolhe e orienta suas famílias. Promove oficinas de enriquecimento curricular e articula ações com escolas, instituições públicas e órgãos de defesa de direitos.
Em agosto, o Dia da Superdotação 2026 reuniu mais de 900 participantes e registrou mais de 1,6 mil inscrições em oficinas gratuitas, segundo o Instituto.
O reconhecimento, entretanto, convive com dificuldades. Robertha afirma que os polos de altas habilidades oferecem atendimento no contraturno, mas as vagas ainda são insuficientes. O próprio filho está na 45ª posição da fila de espera. “A gente precisa que exista a política pública, mas que essa política pública seja efetiva”, afirma.
Direitos e oportunidades
O RAISES também atende pessoas com dupla excepcionalidade, quando a superdotação está associada a outra condição, como autismo ou TDAH. A entidade orienta ainda que famílias procurem avaliação profissional diante de suspeitas, evitando autodiagnósticos baseados apenas em informações da internet.
As demandas das famílias também chegaram aos órgãos públicos. O Instituto elaborou um documento com reivindicações relacionadas à identificação, ao atendimento educacional e à garantia de direitos dos estudantes. O material já foi entregue ao ouvidor-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), promotor Flávio Milhomem, e também foi preparado para apresentação à Secretaria de Educação do DF e ao Ministério da Educação.
Para Robertha, a conquista de Lucas e Rafael não deve representar uma exceção, mas ajudar a abrir caminhos para outros estudantes. “Nós queremos que seja algo efetivo, que funcione e com qualidade.”
Serviço
- Instituto RAISES
- Instagram: @institutoraises
- E-mail: contato@institutoraises.com.br
- Telefone: (61) 99674-1146



