Flávio Bolsonaro volta a citar suspeitas sobre urnas eletrônicas; TSE reafirma que alegações são falsas

Pré-candidato à Presidência defendeu mais observadores internacionais durante as eleições; Justiça Eleitoral reforçou que sistema brasileiro não utiliza equipamentos da empresa Smartmatic e negou irregularidades.

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
4 Min Leitura
Flávio Bolsonaro participou de encontro com diplomatas e voltou a abordar o sistema eleitoral brasileiroImagem: Reprodução
ouça o post

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a fazer declarações sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro durante um encontro com diplomatas realizado na terça-feira (21). Na ocasião, o parlamentar mencionou suspeitas relacionadas às urnas eletrônicas e citou a empresa venezuelana Smartmatic, além de um suposto relatório da CIA envolvendo eleições na Venezuela.

Durante o evento, Flávio afirmou que urnas utilizadas no Brasil teriam relação com a empresa venezuelana e mencionou alegações de vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação. As declarações, no entanto, já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reiterou que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem desenvolve o software utilizado nas eleições brasileiras.

Segundo nota oficial, atualizada pelo tribunal em 8 de julho de 2026, todo o projeto das urnas eletrônicas brasileiras, assim como o sistema eletrônico de votação, foi concebido, desenvolvido e administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

“O TSE reitera que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”, destacou o tribunal.

Sistema é desenvolvido pela Justiça Eleitoral

O TSE informou ainda que a Smartmatic prestou apenas serviços de conexão de dados e voz em contratos anteriores e participou de uma licitação para fabricação de urnas em 2020, mas foi derrotada pela empresa Positivo.

A Corte também reafirmou que o software utilizado nas urnas é desenvolvido exclusivamente pela Justiça Eleitoral e que o sistema não possui conexão com a internet durante o processo eleitoral.

De acordo com o tribunal, o sistema utiliza comunicação criptografada e meios próprios de transmissão de dados, sendo submetido a testes periódicos que, segundo o órgão, comprovam sua segurança, a integridade da totalização dos votos e o sigilo do voto.

Pedido por observadores internacionais

Durante o encontro, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o veículo The Brazilian Report, Flávio Bolsonaro afirmou que não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro.

O senador defendeu, porém, que mais observadores internacionais acompanhem as eleições brasileiras e sugeriu a participação de especialistas em tecnologia para acompanhar o processo eleitoral.

Campanha divulga nota

Após a repercussão das declarações, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que o senador não questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

O texto sustenta que o pré-candidato apenas relembrou os motivos que levaram à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e mencionou informações relacionadas a um relatório da CIA, reforçando que Flávio declarou expressamente não contestar o sistema de votação.

A nota, assinada por Flávio Bolsonaro, pelo senador Rogério Marinho e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri, afirma ainda que a equipe de pré-campanha confia integralmente no sistema eleitoral brasileiro e defende o fortalecimento das missões internacionais de observação.

Declaração relembra episódio de 2022

O episódio remete à reunião realizada em julho de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro apresentou a embaixadores críticas ao sistema eleitoral e levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas sem apresentar provas.

Na época, o Tribunal Superior Eleitoral considerou que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, condenando Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos, com efeitos até 2030.

Na apresentação de 2022, o então presidente também defendeu o voto impresso e citou investigações sobre tentativas de invasão ao sistema do TSE. A Justiça Eleitoral informou que os acessos indevidos foram bloqueados e que não houve qualquer impacto sobre os resultados das eleições.

Compartilhe esse Artigo
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights