A semana foi sacudida por um caso que expõe, mais uma vez, a delicada fronteira entre poder e ilegalidade. Na quinta-feira (16), a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na 4ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
1º: Prisão de Paulo Henrique Costa pela PF
De acordo com a investigação, Paulo Henrique Costa teria recebido uma propina de R$ 146,5 milhões, paga por meio de seis imóveis de luxo (quatro em São Paulo e dois em Brasília), em troca de usar recursos do BRB para comprar carteiras de crédito falsas do Banco Master. A PF já rastreou o pagamento de ao menos R$ 74 milhões.
Prova robusta da negociação ilícita são as trocas de mensagens de WhatsApp entre Costa e o dono do Master, Daniel Vorcaro. Nas mensagens, eles discutem os pagamentos, evidenciando, nas palavras do ministro Mendonça, “a forte proximidade de ambos e a comunhão de desígnios para a prática de ilícitos”. E tem um povo com as barbas de molho, já vendo rota de fuga da capital federal. Olho neles!
2º: Operação contra os desvios do INSS – o impacto da delação de Camisotti
A delação premiada do empresário Maurício Camisotti, pivô do esquema de fraudes no INSS, representa um avanço significativo nas investigações e já ameaça atingir políticos importantes do Congresso Nacional.
Preso desde setembro de 2025, Camisotti confessou sua participação em um esquema que aplicava descontos ilegais em aposentadorias e pensões sem o consentimento dos beneficiários, e fechou um primeiro acordo de delação premiada do caso com a PF. O acordo já foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, para homologação. Esse, por sua vez, solicitou análise da PGR para posterior decisão… momentos de tensão dobrada nos “pratinhos” do Congresso.
A principal consequência da delação é a expectativa de que as investigações se ampliem. O material entregue por Camisotti deve reunir provas desse esquema de corrupção contra os aposentados e pensionistas, com ramificações no Congresso, no Executivo e em estruturas internas do INSS. As frestas e brisas afirmam que tem citação de políticos com atuação no Congresso e servidores do próprio INSS, e comprovação de que havia conhecimento prévio do esquema por parte de autoridades que não agiram/se omitiram para interrompê-lo.
3º: Relatório da CPI do Crime Organizado – aquém da proposta
A CPI do Crime Organizado terminou seus trabalhos na terça-feira (14) sem aprovar um relatório final. O texto apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado por 6 votos a 4, evidenciando seu caráter polêmico e a insatisfação generalizada com seu conteúdo.
A principal crítica é que o relatório ficou muito aquém da proposta inicial. Em vez de focar em provas contra organizações criminosas, concentrou-se em pedir o indiciamento de três ministros do STF (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes) e do procurador-geral da República, o que transpareceu um objetivo meramente “eleitoreiro”. Pelo já apresentado pouco ou nada contribui para as investigações em andamento, tais como a do Master e do INSS.
Até mesmo o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou abertamente o relatório. Ele afirmou que a comissão foi impedida de cumprir seu papel e que o ato de indiciamento é grave e deve ser feito com responsabilidade, não para fins políticos.




