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Salário mínimo pode chegar a R$ 1.717 em 2027, prevê governo

Projeção consta no projeto da LDO enviado ao Congresso e ainda pode ser alterada até o fim do ano

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Projeção do governo indica que o salário mínimo pode chegar a R$ 1.717 em 2027, impactando milhões de brasileiros que dependem do piso nacional para renda e benefíciosImagem: Arquivo/Agência Brasil
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O governo federal estima que o salário mínimo será de R$ 1.717 a partir de janeiro de 2027, com pagamento em fevereiro. A projeção integra o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (15). O valor ainda não é definitivo e poderá sofrer alterações conforme a inflação acumulada até novembro deste ano.

Atualmente fixado em R$ 1.621, após reajuste de 6,79% em 2026, o mínimo pode ter aumento de 5,92%, o equivalente a R$ 96, caso a estimativa da equipe econômica se confirme.

Como funciona o cálculo

O reajuste do salário mínimo segue uma fórmula que considera dois fatores: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Para o cálculo de 2027, entra na conta o PIB de 2025, que registrou alta de 2,3%.

No atual modelo, retomado no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o aumento inclui ganho real acima da inflação. Esse formato substituiu a regra adotada durante o governo Jair Bolsonaro, quando o reajuste considerava apenas a inflação.

Desde 2024, porém, há um limite para o ganho real: o aumento acima da inflação não pode ultrapassar 2,5%, seguindo as regras do novo arcabouço fiscal. A medida busca controlar o crescimento das despesas públicas até 2030.

Impacto para milhões de brasileiros

O salário mínimo é referência para cerca de 61,9 milhões de pessoas no país, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor serve de base tanto para trabalhadores formais quanto para benefícios sociais e previdenciários.

De acordo com o Dieese, aproximadamente 29,27 milhões de beneficiários do INSS recebem valores vinculados ao piso nacional. Benefícios como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também são diretamente impactados por qualquer reajuste.

Pressão nas contas públicas

Especialistas apontam que aumentos reais do salário mínimo elevam significativamente os gastos do governo, especialmente com previdência e assistência social. Isso pode pressionar a taxa de juros e dificultar o crescimento econômico sustentável.

Medidas recentes para limitar esse impacto já geraram economia relevante. A limitação do ganho real a 2,5% pode reduzir despesas em cerca de R$ 110 bilhões entre 2025 e 2030. Estudos indicam que, se o reajuste fosse baseado apenas na inflação, a economia poderia ultrapassar R$ 1 trilhão em dez anos.

Valor ideal ainda distante

Apesar dos reajustes, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99, valor mais de quatro vezes superior ao mínimo atual.

Criado em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, o salário mínimo completa 90 anos como um dos principais instrumentos de política social no Brasil, ainda distante de atender plenamente às necessidades básicas previstas na Constituição.

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