MP processa empresas por coleta de íris e pede R$ 240 milhões em indenização

Ação aponta supostas irregularidades na obtenção de dados biométricos e questiona pagamentos oferecidos a consumidores em troca do escaneamento da íris.

Ana Andrade
Por Ana Andrade 3 Min Leitura
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Ministério Público de São Paulo pede a suspensão definitiva da coleta remunerada de íris e uma indenização de R$ 240 milhões por danos morais coletivos.IMAGEM: Paulo Pinto/Agência Brasil
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation, responsável pelo projeto World ID, e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. por supostas irregularidades na coleta de dados biométricos da íris de consumidores. A Promotoria pede que a Justiça suspenda definitivamente a prática mediante compensação financeira e condene as empresas ao pagamento de, no mínimo, R$ 240 milhões por danos morais coletivos.

Segundo o MPSP, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em São Paulo em troca de recompensas financeiras que variavam entre R$ 300 e R$ 700. A ação sustenta que a iniciativa atingiu principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, levantando questionamentos sobre o consentimento dos participantes e a proteção de dados pessoais.

Promotoria aponta riscos à proteção de dados

Na ação, o Ministério Público afirma que os consumidores não teriam recebido informações suficientemente claras sobre a finalidade do projeto, a forma de utilização dos dados biométricos e os possíveis riscos relacionados ao armazenamento e ao compartilhamento dessas informações.

O órgão também solicita que as empresas eliminem de forma irreversível todos os dados biométricos já coletados, preservem documentos relacionados ao tratamento dessas informações e apresentem à Justiça contratos e registros técnicos sobre o armazenamento dos dados. Além disso, pede a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem das informações.

Pagamento para coleta é alvo da ação

Outro ponto questionado pelo Ministério Público é a oferta de compensação financeira para incentivar a participação no projeto. Segundo a Promotoria, os pagamentos permaneceram mesmo após determinações da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para interromper esse tipo de incentivo, o que pode ter influenciado a decisão dos participantes.

A ação também se baseia em informações reunidas pela chamada CPI da Íris, instaurada pela Câmara Municipal de São Paulo para investigar o funcionamento do projeto World ID na capital paulista. O relatório apontou possíveis falhas relacionadas à transparência, ao consentimento dos usuários e ao tratamento de dados biométricos.

Empresas ainda devem apresentar defesa

Até a publicação desta reportagem, a Amazon AWS informou que possui políticas que exigem o cumprimento da legislação por parte de seus clientes e afirmou que analisa denúncias de possíveis violações. Já a Tools for Humanity ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a ação.

Caso a Justiça acolha os pedidos do Ministério Público, além da indenização de R$ 240 milhões por danos morais coletivos, as empresas poderão ser obrigadas a interromper definitivamente a coleta remunerada da íris e excluir todos os dados biométricos obtidos durante o projeto.

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