A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participou, na tarde desta terça-feira (14), de uma reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para acompanhar o andamento do acordo que garante um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). O encontro ocorreu na sede da autoridade monetária e, segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), teve caráter técnico.
Celina chegou ao Banco Central por volta das 14h17 e permaneceu no local por cerca de uma hora. Ao deixar o prédio, a governadora não concedeu entrevistas. De acordo com o GDF, a reunião teve como objetivo discutir a evolução do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que viabiliza a operação financeira destinada a reforçar a situação do banco.
O empréstimo foi autorizado após a sanção, em 24 de junho, da lei que valida o acordo firmado no STF. A medida busca preservar a estabilidade financeira do BRB, que enfrenta uma crise decorrente de operações realizadas com o Banco Master.
BRB desempenha papel estratégico no DF
O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB e utiliza a instituição para administrar mais de 30 programas sociais, operar linhas de crédito habitacional e efetuar o pagamento da folha salarial dos servidores públicos distritais.
Diante desse papel estratégico, o Executivo local afirma que acompanha de perto as medidas necessárias para assegurar que o banco continue operando em conformidade com as regras do sistema financeiro nacional.
Entenda a crise do BRB
A crise teve origem em operações financeiras realizadas entre o BRB e o Banco Master entre 2024 e 2025, que, segundo informações do próprio banco, movimentaram cerca de R$ 30 bilhões.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo parte dessas negociações.
Já em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. De acordo com a Polícia Federal, ele teria autorizado operações com o Banco Master sem garantias suficientes e em desacordo com práticas adequadas de governança.
O BRB estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master correspondem a ativos considerados inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação. Segundo o governo, medidas administrativas poderão recuperar cerca de R$ 2,2 bilhões desse montante, enquanto os R$ 6,6 bilhões restantes dependem do empréstimo autorizado para recompor o patrimônio da instituição.



