O desenvolvimento da oralidade: como educar para a dialogia

Quando estamos de fato preparados para um debate sob a perspectiva técnica e emocional substituímos o ataque pessoal pela argumentação sólida que se baseia em dados e fatos

Sandra Mara Bessa
Por Sandra Mara Bessa  - Professora 3 Min Leitura
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Aprender a ouvir, argumentar e respeitar opiniões diferentes fortalece a convivência e contribui para debates mais construtivosImagem: IA
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O desenvolvimento da oralidade é um dos pilares fundamentais para a construção de debates saudáveis, dialógicos e respeitosos, atuando como motor da cidadania e da convivência democrática. Mais do que a simples capacidade de falar, a oralidade estruturada envolve a articulação clara de ideias, a escuta ativa e a capacidade de negociar sentidos por meio da palavra.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta a oralidade como um dos quatro eixos estruturantes do componente curricular de Língua Portuguesa, enfatizando a relevância da compreensão ativa, da negociação de sentidos entre os interlocutores e da análise dos efeitos de sentido produzidos tanto pelos recursos linguísticos verbais quanto pelos não verbais.

Processo de aprendizagem

Esse processo de aprendizagem que se constrói ao longo da vida gera um amadurecimento comunicativo que transforma profundamente a dinâmica das discussões, a começar pela postura que adotamos em relação ao nosso interlocutor, visto que debater ideias não implica derrotar o outro, mas apresentar o que pensamos e desconstruir possíveis inverdades apresentadas. O verdadeiro debate não se faz apenas com uma oratória impecável, mas também com a habilidade de nos conectar com o outro por meio de uma escuta ativa. A adoção de um comportamento dialógico propicia o estabelecimento de uma relação de reciprocidade em que o interlocutor passa a ser compreendido como um coautor no processo conversacional.

Argumentação sólida

Consequentemente, quando estamos de fato preparados para um debate sob a perspectiva técnica e emocional substituímos o ataque pessoal pela argumentação sólida que se baseia em dados e fatos. Por outro lado, quando nos faltam as ferramentas orais ou informacionais, tendemos a recorrer ao uso de falácias e ofensas direcionadas ao indivíduo interlocutor. A maior demonstração da capacidade de argumentar está no desenvolvimento de uma fala assertiva, mas ao mesmo tempo, não violenta, em que nossos pontos de vista ganham corpo, esvaziando contextos de autoritarismos que descredibilizam nosso próprio discurso.

Quando dominamos, portanto, a expressão oral, exercitamos nossa própria cidadania e demonstramos nosso respeito por espaços públicos e democráticos de fala, dado que debates saudáveis são a base de qualquer sociedade livre. Vivemos um momento único em que precisamos compreender a necessidade de transitar de uma cultura do monólogo e do grito para uma cultura do encontro e do argumento legítimo.

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Posted by Sandra Mara Bessa Professora
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Gestora de projetos e especialista em Educação
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