Em tempos de eleições, as emoções estão à flor da pele. Basta abrir as redes sociais ou participar de uma conversa em família para perceber como opiniões diferentes despertam raiva, indignação, revolta e até ódio. Pessoas que antes conviviam tranquilamente passam a se afastar, discutir e romper relações.
Mas o que isso tem a ver com a alimentação? Mais do que imaginamos. Nosso comportamento alimentar não depende apenas da fome. Ele também é influenciado pelas emoções, pelos pensamentos e pela maneira como reagimos ao que acontece ao redor.
Comer emocional problemático
Quando estamos sobrecarregados, podemos buscar na comida uma forma de aliviar o desconforto. Comer pode oferecer prazer, distração e tranquilidade. O problema surge quando essa passa a ser nossa principal maneira de lidar com sentimentos difíceis, especialmente quando percebemos perda de controle ou sofrimento.
É o que chamamos de comer emocional problemático. Entretanto, existe algo importante: muitas vezes, não é apenas o acontecimento que intensifica nossas emoções, mas também os julgamentos que fazemos sobre ele.
Imagine alguém lendo uma notícia política que provoca indignação. Além da raiva inicial, surgem pensamentos como: “Como alguém pode pensar assim?”, “Essas pessoas são insuportáveis!”, “Não aguento mais viver nesse país!”.
Cada pensamento pode alimentar a revolta, como se colocássemos lenha numa fogueira acesa. E quanto mais intensas ficam as emoções, mais difícil pode ser escolher conscientemente como reagir.
Observação
É aqui que entra uma habilidade importante: aprender a observar nossos pensamentos e sentimentos sem alimentá-los com novos julgamentos. Isso não significa concordar com injustiças, abandonar nossas opiniões ou aceitar comportamentos prejudiciais. Significa reconhecer o que sentimos sem permitir que a emoção determine nossas ações. Podemos sentir raiva sem deixar que ela determine a maneira como tratamos as outras pessoas. Discordar sem odiar. Sentir tristeza sem precisar anestesiá-la com comida.
Comer para escapar
Na alimentação, essa habilidade nos ajuda a perceber quando estamos com fome e quando buscamos comer para escapar de uma emoção desconfortável. O desafio não está em deixar de sentir emoções desagradáveis, mas em reconhecer quando elas aparecem e encontrar maneiras de cuidar de nós mesmos sem agir por impulso.
Talvez, em tempos de tanta polarização, uma das habilidades mais necessárias seja essa: aprender a conviver com as diferenças, reconhecer nossas emoções e escolher respostas que não aumentem nosso sofrimento.
Porque nem tudo o que sentimos precisa se transformar em uma reação. E nem toda emoção precisa ser resolvida com comida.



