Quando pensamos em alimentação, é comum imaginar que nossas escolhas dependem principalmente de conhecimento, disciplina ou força de vontade. Mas será que é só isso? A forma como comemos é muito mais complexa. O ambiente ao nosso redor pode influenciar o que escolhemos, a quantidade que comemos e até o momento em que sentimos vontade de comer.
Nosso cérebro percebe o tempo todo o que acontece à nossa volta. A comida disponível, a facilidade de acesso, aquilo que vemos e sentimos pelo cheiro, o tamanho das porções, a variedade de alimentos e até o comportamento de outras pessoas podem despertar a vontade de comer — muitas vezes sem que a gente perceba.
Comer por emoção
E isso acontece porque não comemos apenas quando estamos com fome. Comemos também por hábito, por prazer, por questões sociais, por emoções, por lembranças e porque determinados estímulos simplesmente estão ali.
Por isso, quando alguém tem dificuldade com a alimentação, dizer que falta “força de vontade” é uma explicação simples demais para algo tão complexo. Muitas vezes, a pessoa sabe o que gostaria de fazer, mas existem vários fatores influenciando suas escolhas naquele momento.
Influências
Na nutrição, olhar para essas influências pode ser mais interessante do que simplesmente criar mais regras sobre o que comer ou deixar de comer. Talvez, em vez de perguntar apenas “o que eu deveria comer?”, possamos começar a observar: o que está influenciando a maneira como eu como?
Essa percepção nos ajuda a sair do piloto automático. E isso não significa controlar tudo ao redor, eliminar alimentos ou ficar em constante vigilância. Significa perceber melhor os estímulos, reconhecer nossas respostas e criar um pequeno espaço entre a vontade e a ação. É justamente nesse espaço que uma escolha pode se tornar mais consciente.
Porque construir uma relação mais tranquila com a alimentação não passa apenas pelo que colocamos no prato. Passa também por compreender o que acontece conosco antes de chegarmos até ele. Alimentação não se constrói apenas aprendendo sobre nutrientes ou seguindo prescrições. Ela também passa pela compreensão do próprio comportamento.
Porque, antes de concluir que precisamos de mais disciplina, talvez seja importante observar algo que frequentemente passa despercebido: quanto do que fazemos é uma escolha consciente e quanto é uma resposta ao ambiente?



