Em época de eleições, as questões de gênero sempre vêm à tona como pauta de alas conservadoras que confundem estereótipos de gênero com manutenção de uma família tradicional e de diferentes graus de respeitabilidade social. No entanto, sob a ótica da educação, precisamos educar para novas concepções de masculinidade e feminilidade, posto que, como temos recorrentemente visto, a percepção de submissão e julgamento de uns sobre outros tem gerado prejuízos de ordem emocional e psíquica, quando não levam à morte.
A desconstrução de estereótipos de gênero passa necessariamente por abandonar dinâmicas de dominação, rivalidade ou repressão emocional por relações baseadas na igualdade, no respeito mútuo e no autocuidado. Chama atenção aqui para o fato de que tal pressuposto já está presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cujo caráter normativo, não dá margem para a discussão sobre o fato de a escola ter ou não essa função.
Competências gerais
A BNCC apresenta dez competências gerais que, em caráter transversal, perpassa toda a educação básica e traz em seu bojo as aprendizagens essenciais que nossas crianças e adolescentes precisam desenvolver.
No que diz respeito ao tema aqui tratado, as competências oito e nove são muito pertinentes: Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas; Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Concepções
E é, na parceria entre família e escola, que precisamos atuar para superar concepções que desrespeitem a existência do outro em sua essência. Ou entendemos a necessidade de mudar de rota, de educar diferentemente do que fomos educados ou viveremos em eterna barbárie em que a força de uns se sobrepõe sem qualquer consideração às dores que causa. Como pais e educadores precisamos acompanhar estas crianças e jovens para que trilhem outros caminhos, mais respeitosos, solidários e humanitários.



