A imprescindibilidade de se educar para lidar com as frustrações

Estabelecer limites não significa rigidez, indiferença ou desrespeito, mas acolhimento e bem-querer

Sandra Mara Bessa
Por Sandra Mara Bessa  - Professora 3 Min Leitura
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Aprender a lidar com os nãos, respeitar diferenças e assumir responsabilidades ajuda a formar adultos mais equilibrados e preparados para a vida.Imagem: IA
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Nesta semana, temos visto adultos, adolescentes e até crianças manifestando-se sobre os resultados das eleições no Brasil. Falas cheias de ódio, de ameaças e de uma infinidade de absurdos sob a perspectiva da boa convivência humana em um mundo que se quer civilizado. Na maior parte das vezes, tais falas dirigem-se a minorias, aos mais pobres, aos desvalidos que, por motivos vários, possam ter votado contrariamente ao que essas pessoas esperavam. Em seus discursos, conclamam revanches, boicotes, cortes e violências as mais diversas. Aqui esclareço sobre o conceito de violência que remete à retirada intencional de direitos humanos.

Todas essas falas me chamaram atenção para um aspecto relacionado à educação, não apenas no que tange ao discurso de ódio ou a desumanidade inerente a tais falas, mas especialmente à incapacidade dessas tantas pessoas, nas mais diferentes idades, de lidarem com situações em que suas expectativas não são atendidas. Nesse sentido, é fundamental compreender que, embora seja responsabilidade de pais e educadores garantir os direitos de crianças e adolescentes, isso não implica uma infância sem qualquer dificuldade ou sem os devidos nãos. Há uma demanda por preparar as pessoas emocional e psicologicamente estáveis para enfrentar os obstáculos e desafios que encontrarão ao longo da vida. Melhor dito, ensiná-los a lidar com as frustrações.

Discordâncias e conflitos

Precisamos avaliar como responsáveis pela educação de crianças e adolescentes que a vida nem sempre será gentil. As discordâncias e conflitos são comuns, seremos em diversos momentos e instâncias contrariados em nossas vontades e desejos. Há uma equivocada tentativa de poupar nossos filhos, netos, sobrinhos de qualquer sofrimento, resolvendo todos os seus problemas, justificando suas atitudes, responsabilizando outros por seus erros, o que gera adultos instáveis que não sabem lidar com o fim de relacionamentos, não sabem conviver com diferenças, não sabem ouvir não… Adultos que, enfim, ao serem contrariados, reagem com agressividade física e verbal em uma tentativa infantil de impor suas vontades, minimizando a existência e as vontades do outro.

Limites

Amor e carinho não podem ser confundidos com permissividade; cuidado não pode ser entendido como proteção excessiva; felicidade não pode ser interpretada como satisfação de todo e qualquer desejo. Amor, cuidado, felicidade se relacionam a outras questões como limites, responsabilidade, coletividade. E ao contrário do que muitos pensam, estabelecer limites não significa rigidez, indiferença ou desrespeito, mas acolhimento e bem-querer. E isso vale para os mais diversos contextos em que nos encontramos, seja na vida profissional, pessoal, familiar… A experiência humana deve ser pautada pela compreensão de que viveremos emoções difíceis e que devemos aprender a reconhecê-las, expressá-las e geri-las de maneira saudável.

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Posted by Sandra Mara Bessa Professora
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Gestora de projetos e especialista em Educação
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