O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltaram a se encontrar após meses de distanciamento político. A reunião ocorreu na noite de terça-feira (4), na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em Brasília, e contou também com a presença do ministro Cristiano Zanin.
O encontro foi articulado pelos dois ministros do STF e teve como principal objetivo restabelecer o diálogo entre Lula e Alcolumbre. A informação foi divulgada inicialmente pela colunista Bela Megale, do O Globo, e confirmada por interlocutores dos participantes.
Na manhã desta quarta-feira (5), ao chegar ao Senado, Alcolumbre foi questionado sobre a conversa e respondeu apenas com uma palavra: “Segredo”.
Reaproximação
De acordo com assessores dos dois lados, a reunião teve caráter informal e serviu para reduzir as tensões acumuladas desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A decisão foi articulada por Alcolumbre e provocou forte desgaste na relação entre os dois.
A conversa durou entre duas e três horas e, segundo interlocutores, não houve discussão de pautas específicas do governo. O foco esteve na tentativa de superar divergências e reconstruir a relação institucional entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado.
Pendências ficam para depois das eleições
Apesar da reaproximação, temas considerados sensíveis devem permanecer em segundo plano até o fim do processo eleitoral. Entre eles está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, uma das prioridades defendidas pelo governo.
Lula também demonstrava insatisfação com a condução de outras pautas consideradas estratégicas para o Executivo no Senado. A avaliação de aliados é que o encontro representou um primeiro passo para restabelecer a normalidade na relação entre os dois líderes e abrir espaço para futuras negociações após as eleições.



