Flávio Bolsonaro critica Lula nos EUA e diz que presidente “lambe as botas da China” em debate sobre tarifaço

Senador do PL participou de audiência pública nos Estados Unidos para discutir possíveis tarifas sobre produtos brasileiros, defendeu o adiamento da medida e fez duras críticas à política externa do governo Lula

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Enquanto o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas, Flávio disse acreditar que a tarifa de 25% deverá ser confirmada e afirmou que sua participação teve caráter técnico e políticoImagem: Reprodução/Youtube/Flávio Bolsonaro
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, participou de uma audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a possível aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros e aproveitou a ocasião para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante uma transmissão ao vivo realizada na quarta-feira (8), após a audiência, Flávio afirmou que viajou aos Estados Unidos para “proteger o Brasil das tarifas e também do Lula”. Segundo ele, o presidente brasileiro estaria priorizando interesses ideológicos nas relações internacionais.

“O Lula lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”, declarou o senador ao comentar a política externa do governo federal.

Flávio Bolsonaro também afirmou ter recebido informações de bastidores indicando que a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros deverá ser confirmada pelo governo norte-americano. A decisão dos Estados Unidos sobre a adoção das novas tarifas é aguardada até o próximo dia 15 de julho.

Audiência no USTR

Na audiência pública promovida pelo USTR, Flávio Bolsonaro esteve acompanhado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente reside nos Estados Unidos.

Durante sua participação, o senador criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), os governos do PT e defendeu que a adoção das tarifas seja adiada, argumentando que este seria o pior momento para a aplicação da medida.

A participação ocorreu após inscrição aberta ao público interessado. Segundo o governo brasileiro, a manifestação do senador foi uma iniciativa independente, sem qualquer vínculo com a posição oficial do Executivo.

Enquanto isso, o governo brasileiro optou por não discursar nas audiências públicas, enviando apenas representantes da Embaixada do Brasil em Washington como observadores. A estratégia do Executivo é concentrar as negociações em reuniões técnicas e diplomáticas de alto nível.

Etanol, açúcar e outros temas

Na manifestação apresentada ao governo americano, Flávio Bolsonaro defendeu um acordo de tarifa zero para etanol e açúcar entre Brasil e Estados Unidos, argumentando que existe uma assimetria tarifária entre os dois países.

Entretanto, o senador não abordou outros pontos levantados pela investigação comercial norte-americana, como desmatamento, proteção à propriedade intelectual e combate à pirataria.

O governo brasileiro sustenta que as tarifas aplicadas ao etanol seguem as regras comerciais vigentes e não discriminam os Estados Unidos, posição reforçada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que descarta reduzir as tarifas sobre o combustível americano por considerar que a medida prejudicaria a indústria sucroalcooleira do Nordeste.

Governo contesta investigação dos EUA

Na última semana, o governo brasileiro apresentou uma resposta formal à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. O documento rebate acusações de que políticas brasileiras, como o PIX, medidas ambientais e a legislação anticorrupção, criariam barreiras ao comércio com empresas norte-americanas.

Na manifestação enviada ao USTR, o Brasil afirma que não há comprovação de práticas discriminatórias contra os Estados Unidos e defende que as políticas adotadas pelo país estão em conformidade com os compromissos internacionais.

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