Itamaraty alerta Câmara sobre risco de ação militar dos EUA após PCC e CV serem classificados como terroristas

Manifestação está em documento do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) enviado à Câmara. Risco de ataque ao território brasileiro é citado em dois momentos do comunicado

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Documento enviado pelo Itamaraty à Câmara alerta para possíveis consequências da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristasImagem: Reprodução
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O Ministério das Relações Exteriores encaminhou à Câmara dos Deputados um documento em que alerta para o risco de uma eventual ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo norte-americano.

A resposta foi assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em atendimento a um pedido de informações apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). O documento foi protocolado em 2 de julho e veio a público na segunda-feira (6).

Itamaraty aponta possíveis consequências da decisão dos EUA

No texto, Mauro Vieira afirma que a classificação das facções pode permitir que autoridades dos Estados Unidos adotem medidas administrativas e judiciais unilaterais contra cidadãos, empresas e organizações brasileiras, inclusive sem vínculo direto com o país norte-americano.

Segundo o chanceler, a legislação antiterrorismo dos EUA possui termos amplos, o que poderia resultar em impactos nas áreas financeira, migratória e penal para brasileiros.

Além disso, o ministro menciona, por duas vezes no documento, a possibilidade de uso da força militar pelos Estados Unidos em território nacional como uma das consequências da medida.

“Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, registra um dos trechos da manifestação.

Governo brasileiro diz que não foi comunicado oficialmente

O chanceler também afirma que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal dos Estados Unidos sobre a intenção de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo Mauro Vieira, o Brasil manifestou oficialmente sua oposição à medida, avaliando que a decisão não contribuirá para o combate ao crime organizado e poderá representar riscos à soberania nacional.

“A designação de organizações criminosas como terroristas não trará benefícios”, afirma o documento.

EUA já aplicaram primeiras sanções

Na última semana, o governo do presidente Donald Trump anunciou a primeira rodada de sanções econômicas contra pessoas e empresas apontadas como ligadas ao PCC.

As medidas foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e incluem o bloqueio de bens em território norte-americano, além de outras restrições financeiras.

Foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Também entraram na lista as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

Classificação ocorreu em junho

Em junho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras, contrariando manifestações do governo brasileiro.

A classificação amplia o alcance das autoridades norte-americanas para aplicar sanções financeiras, restrições judiciais e outras medidas previstas na legislação antiterrorismo dos EUA contra pessoas e entidades que mantenham relação com os grupos designados.

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