Lula chama Flávio Bolsonaro de ‘traidor da pátria’ após discurso nos EUA sobre tarifas

Comunicação da Presidência da República divulgou posicionamento à imprensa após falas do senador Flávio Bolsonaro (PL) em audiência nesta terça-feira (7) nos EUA sobre a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Governo Lula volta a criticar Flávio Bolsonaro após participação em audiência nos EUA sobre tarifas contra produtos brasileiros e afirma que senador agiu contra os interesses do paísImagem: Divulgação/PR
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A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República voltou a acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de agir contra os interesses do Brasil. Em nota divulgada na terça-feira (7), o governo afirmou que o parlamentar “faz oposição ao país” ao participar de uma audiência nos Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros e criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo a Presidência, enquanto o governo brasileiro negocia para tentar reverter as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro teria usado o espaço para politizar o tema e não defender os interesses nacionais.

Governo critica atuação de Flávio Bolsonaro

Na nota, a Secretaria de Comunicação afirma que divergências políticas fazem parte da democracia, mas acusa o senador de ultrapassar esse limite ao buscar apoio de um governo estrangeiro.

“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz o texto.

O pronunciamento ocorre após Flávio Bolsonaro participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos. Durante a audiência, o senador discursou em inglês e criticou decisões do STF e ações do governo Lula.

Governo diz que negociava enquanto senador fazia discurso

De acordo com a Presidência, enquanto Flávio Bolsonaro participava da audiência, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto realizavam uma reunião técnica com integrantes do USTR para tentar reverter o chamado “tarifaço”.

O governo também afirma que as negociações com os Estados Unidos acontecem de forma contínua desde julho de 2025.

Críticas ao posicionamento do senador

Na avaliação do governo, Flávio Bolsonaro deixou de contestar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para impor as novas tarifas ao Brasil.

A nota afirma que o senador preferiu defender o adiamento da medida, em vez de rejeitá-la, e que não rebateu as acusações feitas pelo governo norte-americano contra o país.

Segundo a Presidência, entre os 34 brasileiros inscritos para participar da audiência pública do USTR, Flávio Bolsonaro foi o único que não se posicionou diretamente contra as tarifas.

Brasil responde investigação dos Estados Unidos

Na última quinta-feira (2), o governo brasileiro enviou uma resposta formal ao USTR contestando as conclusões da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos.

O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebate as alegações de que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. Entre os temas citados pelos Estados Unidos estão o PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e a aplicação da legislação anticorrupção.

Na resposta, o governo brasileiro argumenta que não há comprovação de que essas políticas criem barreiras comerciais aos produtos norte-americanos. Também sustenta que críticas ao PIX e a decisões do STF dizem respeito a assuntos internos do Brasil e não a questões comerciais.

Prazo para acordo termina em julho

O governo brasileiro trabalha para chegar a um entendimento com os Estados Unidos até o dia 15 de julho, prazo estabelecido pelo USTR para definir a política tarifária envolvendo produtos brasileiros.

Segundo cálculos apresentados pela Presidência, das 78 manifestações inscritas na audiência pública do USTR, 63 foram contrárias às tarifas e 15 favoráveis. Entre os participantes brasileiros, apenas Flávio Bolsonaro não teria defendido a rejeição imediata das medidas, segundo a avaliação do governo.

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