Os Estados Unidos acusaram o Brasil de utilizar trabalho forçado na cadeia de produção de gado e anunciaram uma proposta de tarifas adicionais de 12,5% sobre importações provenientes de países que, na avaliação americana, não combatem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas sob essas condições.
A medida foi divulgada nesta terça-feira (2), após uma investigação do governo dos EUA concluir que 60 países não adotam ações consideradas suficientes para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado. Entre os países citados estão Brasil e China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.
Carne bovina deve ficar isenta
Apesar das críticas direcionadas ao setor pecuário brasileiro, a carne bovina integra a lista de produtos que deverão ser isentos da nova tarifa proposta pelos americanos.
O documento que fundamenta a medida dedica um capítulo específico à pecuária brasileira. Segundo o relatório, há registros amplamente documentados de utilização de trabalho forçado na produção de gado no país.
Impacto no comércio internacional
De acordo com o governo americano, a suposta falta de fiscalização por parte da China sobre a origem da carne importada teria favorecido a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
O relatório afirma que a ausência de uma proibição efetiva à importação de carne bovina congelada produzida com trabalho forçado no Brasil teria proporcionado vantagem de custo aos produtores brasileiros e provocado distorções na concorrência.
Os Estados Unidos também relacionam esse cenário à redução das exportações de carne congelada americana para o mercado chinês, um dos maiores consumidores de proteína bovina do mundo.
A proposta ainda deverá passar por etapas de análise e discussão antes de eventual implementação.



