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Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Influenciadora digital e advogada é alvo da Operação Vérnix, que investiga esquema milionário ligado à cúpula da facção criminosa

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e familiares de Marcola em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCCImagem: Reprodução/Internet

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação também mira familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção criminosa.

Além de Deolane, foram presos Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha. Marcola, que já está preso na Penitenciária Federal de Brasília, também teve nova ordem de prisão preventiva decretada.

Operação investiga lavagem de dinheiro milionária

Segundo as investigações, a organização utilizava uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, como empresa de fachada para movimentar recursos da facção criminosa. O esquema teria movimentado milhões de reais por meio de empresas, contas bancárias e aquisição de bens de luxo.

A Justiça autorizou seis mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões em diversos endereços ligados aos investigados. Também foi determinado o bloqueio de R$ 357,5 milhões em valores financeiros e 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Na casa de Deolane, em Barueri, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão. A influenciadora havia retornado ao Brasil na quarta-feira (20), após passar semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol.

Investigação começou em 2019

A apuração teve início após a apreensão de bilhetes e manuscritos encontrados com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em 2019. O material revelou referências a ordens internas do PCC, movimentações financeiras suspeitas e possíveis ataques contra servidores públicos.

As investigações evoluíram até identificar a transportadora “Lado a Lado Transportes”, posteriormente apontada como braço financeiro da facção. Em uma das fases da operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, considerado operador central do esquema, revelou movimentações financeiras e depósitos relacionados a Deolane Bezerra e Everton de Souza.

De acordo com o Ministério Público, Ciro atuava diretamente na compra de caminhões, pagamentos e administração de patrimônio em nome de integrantes da cúpula do PCC.

Depósitos e suspeitas de ocultação de patrimônio

Segundo a investigação, entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento financeiro.

A polícia também identificou cerca de 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, totalizando aproximadamente R$ 716 mil. Os investigadores afirmam que não foram encontrados documentos que comprovassem a origem lícita dos valores ou prestação de serviços advocatícios compatíveis com as transferências.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra, valor relacionado ao patrimônio cuja origem não teria sido comprovada.

Risco de fuga e continuidade do esquema

Ao decretar as prisões preventivas, a Justiça de São Paulo apontou indícios robustos de participação dos investigados no esquema criminoso, além de risco de destruição de provas, ocultação de patrimônio e continuidade das atividades ilegais.

As autoridades também destacaram a sofisticação da estrutura financeira investigada e o fato de alguns alvos estarem fora do Brasil como fatores que justificaram as medidas cautelares.

Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra informou apenas que está tomando conhecimento do caso. Os advogados dos demais investigados ainda não haviam se manifestado oficialmente.

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