O senador Flávio Bolsonaro admitiu na terça-feira (19) que visitou o banqueiro Daniel Vorcaro em São Paulo no fim de 2025, logo após a primeira prisão do empresário no âmbito da Operação Compliance. Na época, Vorcaro cumpria medidas restritivas determinadas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A declaração foi dada após reunião de aliados do PL em Brasília, convocada depois de reportagens revelarem mensagens e áudios envolvendo pedidos de recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até a semana passada, Flávio negava qualquer relação com Vorcaro.
Segundo o senador, a visita ocorreu após ele perceber a gravidade da situação envolvendo o Banco Master e o banqueiro.
“Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo”, declarou Flávio Bolsonaro a jornalistas após a reunião.
Relação envolvia financiamento de filme
Durante o encontro com parlamentares do partido, Flávio afirmou que o contato com Vorcaro se restringia ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador disse ainda que pretende apresentar uma prestação de contas do projeto em até 30 dias.
O parlamentar já confirmou que a produção recebeu US$ 12 milhões ligados ao banqueiro. O caso ganhou repercussão na última semana, após a divulgação de mensagens e áudios revelando negociações sobre o financiamento.
Inicialmente, Flávio negou que o banqueiro tivesse participação financeira no projeto. Depois, reconheceu a existência de contrato e afirmou que os pagamentos teriam sido interrompidos durante a execução da obra.
“O filme sequer poderia ser concluído”, afirmou o senador ao justificar a busca por novos investidores.
Mensagens e áudios ampliam pressão
Reportagem divulgada nesta terça-feira pelo site Intercept Brasil revelou mensagens do deputado federal Mário Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e produtor executivo do filme, agradecendo a Vorcaro pelo apoio financeiro.
Em um áudio enviado em dezembro de 2024, Frias afirma que manteria o banqueiro informado sobre o andamento da produção.
Segundo a reportagem, a conversa ocorreu menos de uma hora após um encontro entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em Brasília, no qual teriam discutido o financiamento do longa.
A empresária Karina Ferreira Gama, dona da produtora Goup Entertainment, responsável pelo filme, afirmou à TV Globo que a produção já custou cerca de US$ 13 milhões. Segundo ela, Vorcaro teria sido responsável por aproximadamente 90% dos recursos utilizados no projeto.




