A deputada federal Erika Hilton afirmou nesta quarta-feira (20) que não há espaço para negociações envolvendo compensações financeiras para empresas dentro da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. A parlamentar destacou que a prioridade da PEC é garantir melhores condições de vida para os trabalhadores.
A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Nacional, em meio às discussões no Congresso sobre mudanças na jornada de trabalho. Segundo Erika Hilton, o governo não pretende aceitar propostas que ampliem a carga horária semanal ou criem vantagens adicionais para empresas como contrapartida pela redução dos dias trabalhados.
A deputada também criticou sugestões apresentadas por parlamentares que defendem jornadas maiores para alguns setores econômicos. Para ela, a proposta não pode perder seu objetivo principal, que é reduzir o desgaste físico e mental causado pelas longas jornadas de trabalho.
Mudanças propostas
A PEC do fim da escala 6×1 prevê a redução da jornada semanal para 36 horas, além da adoção de uma escala de quatro dias de trabalho e três dias de descanso. O texto foi anexado à PEC 221/2019, que já tramita na Câmara dos Deputados.
Nos últimos meses, diferentes propostas de alteração passaram a ser discutidas no Congresso. Entre elas, está a criação de um período de transição de até dez anos para adaptação das empresas às novas regras trabalhistas.
Outra sugestão apresentada prevê flexibilizações para áreas consideradas essenciais, permitindo jornadas diferenciadas em determinados setores.
Debate econômico
Erika Hilton também rebateu críticas sobre possíveis impactos negativos na economia brasileira. Segundo ela, estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a redução da jornada pode gerar novos empregos, melhorar a produtividade e reduzir afastamentos relacionados ao excesso de trabalho.
A deputada afirmou ainda que pequenas empresas não seriam as principais responsáveis pela resistência ao projeto. De acordo com ela, os maiores questionamentos partem de setores empresariais que demonstram preocupação com possíveis custos de adaptação.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais e passou a mobilizar trabalhadores de diferentes áreas do país. A proposta segue em análise na Câmara dos Deputados e ainda deve passar por novas discussões antes de uma possível votação em plenário.




