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Justiça concede habeas corpus e manda soltar MC Ryan SP e MC Poze do Rodo

Decisão do TRF-3 beneficia funkeiros e outros investigados na Operação Narco Fluxo, que apura suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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O MC Ryan SP, o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil ‘Choquei’, das Redes SociaisImagem: Reprodução/Internet
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A Justiça Federal determinou a soltura do funkeiro MC Ryan SP e de outros investigados presos na Operação Narco Fluxo, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A decisão foi assinada na quarta-feira (13) pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Além de MC Ryan SP, também foram beneficiados pelo habeas corpus MC Poze do Rodo, os influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão, além de Diogo Santos de Almeida. O cantor estava preso desde 15 de abril e havia sido transferido para a Penitenciária II de Mirandópolis, no interior de São Paulo.

Segundo a decisão, a prisão preventiva não poderia ser mantida sem que houvesse elementos suficientes para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal. A magistrada destacou que, até o momento, nenhum dos investigados foi formalmente denunciado e que a própria Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir diligências e perícias.

No despacho, Louise Filgueiras afirmou que manter a prisão preventiva sem denúncia formal seria incompatível com o estágio atual da investigação. A decisão ainda ressalta que a prisão cautelar não pode ser utilizada como instrumento para facilitar investigações, especialmente quando equipamentos eletrônicos e demais materiais relevantes já foram apreendidos pela PF.

Investigação aponta movimentação de R$ 1,6 bilhão

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas internacionais. O esquema envolveria apostas ilegais, rifas digitais, lavagem de capitais e recursos supostamente ligados ao tráfico internacional de drogas.

No inquérito, MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, é apontado como líder e principal beneficiário econômico da estrutura. A PF afirma que empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas legais com valores oriundos de atividades ilícitas.

MC Poze do Rodo, identificado como Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, também aparece na investigação como integrante da engrenagem financeira do grupo, com vínculos a empresas relacionadas à circulação de recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

A operação ainda cita outros nomes apontados como operadores financeiros e integrantes da estrutura, incluindo Rodrigo de Paula Morgado, Tiago de Oliveira e Alexandre Paula de Sousa Santos.

Medidas cautelares seguem em vigor

Apesar da concessão do habeas corpus, os investigados deverão cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão comparecimento obrigatório a todos os atos do processo, comunicação de mudança de endereço, apresentação mensal em juízo e proibição de deixar a cidade onde residem por mais de cinco dias sem autorização judicial.

Também ficou determinada a proibição de sair do país sem autorização da Justiça e a entrega do passaporte, caso possuam o documento.

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em abril deste ano e teve como base provas reunidas em investigações anteriores da Polícia Federal. Segundo os investigadores, a análise de arquivos armazenados no iCloud de Rodrigo de Paula Morgado permitiu mapear a estrutura financeira do grupo, identificar empresas de fachada, movimentações bancárias, contratos e relações entre artistas, influenciadores e operadores financeiros.

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