Com a “corda no pescoço” e sob custódia da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, trabalham nos bastidores para fechar acordos de delação premiada até a primeira semana de maio. As negociações, que já entraram em fase final, prometem entregar novos rumos, provas e indicações de autoria e materialidade que podem sacudir os pilares da investigação sobre um dos maiores esquemas de fraude financeira da história recente do país.
A expectativa nos corredores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) é de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresente sua proposta formal de colaboração premiada nos próximos dias. Preso na Superintendência da PF em Brasília desde 19 de março, Vorcaro tem mantido reuniões regulares com seus advogados, para ajustar os últimos detalhes da proposta de delação. Ao mesmo tempo, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, deu um sinal claro de que também quer delatar. Preso desde 16 de abril, ele trocou sua equipe de defesa – substituindo o advogado Cleber Lopes pelos criminalistas Eugênio Aragão (ex-ministro da Justiça) e Davi Tangerino – numa jogada que repete o roteiro adotado por Vorcaro.
A aproximação dos dois principais personagens do escândalo com a delação premiada recoloca o Caso Master sob os holofotes, numa reta final de negociações que promete ser decisiva para o desfecho das investigações.
Novos caminhos e provas
Se confirmadas, as delações de Vorcaro e Costa poderão gerar impactos profundos em três frentes principais:
1 – Caminho das investigações
A PF já mapeou três eixos de fraudes no Caso Master: um em São Paulo, focado na captação de recursos de previdências estaduais e municipais; outro em Brasília, que detalha as operações fraudulentas entre o Master e o BRB; e um terceiro voltado a “filhotes” do esquema, incluindo a possível atuação de uma “milícia privada” para ameaçar autoridades e jornalistas. As delações devem alimentar esses três eixos, aprofundando a compreensão do organograma da suposta organização criminosa.
2 – Provas e materialidade
Os acordos de colaboração exigem que os delatores apresentem provas concretas, como documentos, mensagens, extratos bancários e outros elementos de corroboração. A PGR e a PF já deixaram claro que a delação precisará trazer informações inéditas, indo além do que os próprios celulares de Vorcaro já revelaram. Como alertaram investigadores, “a delação precisa apresentar material inédito, que vá além do que já foi identificado em seu celular”.
3 – Indicação de autoria
O aspecto mais aguardado é a indicação de coautores e partícipes do esquema. Vorcaro deverá apontar políticos, empresários e agentes financeiros. Paulo Henrique Costa deve detalhar o envolvimento de autoridades do DF e do Governo Federal. A competição por relevância é acirrada: quanto mais úteis forem as informações, maiores os benefícios penais.
Próximos passos
A expectativa é que as próximas semanas sejam decisivas. Com as delações programadas para até o fim da primeira semana de maio, os investigadores poderão abrir novas frentes de apuração, eventualmente alcançando figuras dos Três Poderes. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão sobre outros investigados — como o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e o empresário João Carlos Mansur — que também estudam acordos de colaboração.
Para o BRB, a expectativa é de que o STF decida positivamente sobre a destinação dos valores recuperados, enquanto o banco estatal tenta se reerguer de um rombo estimado entre R$ 5 e R$ 8 bilhões. Um prejuízo absurdo para o DF e seus moradores.
O ministro André Mendonça já sinalizou que não homologará automaticamente as propostas de delação.Somente serão aceitas as colaborações que trouxerem avanços reais em relação ao que a PF já apurou. Lembrando que o prazo para conclusão das investigações vai até 18 de maio (mas podem/devem ser prorrogadas). Aguardemos cenas dos próximos capítulos…



