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Ex-presidente do BRB é transferido para a “Papudinha” após autorização do STF

Paulo Henrique Costa deixou unidade da Papuda e foi levado para ala reservada da Polícia Militar no Complexo Penitenciário; defesa cita segurança e possível delação premiada

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 3 Min Leitura
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Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi transferido para o 19º Batalhão da PMDF, conhecido como Papudinha, após autorização do STFImagem: Reprodução
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Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), foi transferido na noite de sexta-feira (8) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. A mudança ocorreu às 19h45 e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Antes da transferência, Costa estava preso desde 16 de abril em uma unidade do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após ser alvo da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Militar, ele foi encaminhado para uma das celas disponíveis da unidade, classificadas como Sala de Estado-Maior, estrutura destinada a custodiados em condições específicas previstas em lei.

Estrutura reservada e segurança

A chamada “Papudinha” fica dentro do mesmo complexo da Papuda, mas possui ala separada e mais reservada. De acordo com a PMDF, o local tem capacidade para 60 presos, distribuídos em oito celas no formato de alojamentos coletivos, com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. As instalações passaram por reforma em 2020.

Em nota, a corporação informou que, por questões operacionais e de segurança, busca garantir a permanência do custodiado em cela exclusiva, seguindo protocolos técnicos do Núcleo de Custódia da Polícia Militar.

Assim como os demais internos, Paulo Henrique poderá receber itens de higiene, limpeza, roupas e enxoval autorizados pela administração penitenciária. O acesso a televisores e equipamentos de ventilação também é permitido conforme regras internas da unidade.

Defesa pediu transferência

O pedido de transferência foi apresentado pela defesa do ex-presidente do BRB ao STF. No fim de abril, os advogados informaram à Corte que Costa pretende firmar acordo de delação premiada e solicitaram a mudança sob argumento de preservação da integridade física e segurança pessoal.

A autorização foi concedida por André Mendonça na tarde de sexta-feira, horas antes da transferência ser efetivada.

Investigação sobre BRB e Banco Master

Paulo Henrique Costa comandou o BRB desde 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele esteve à frente da instituição durante a tentativa de compra do Banco Master pelo banco público, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

Segundo as investigações, Costa é suspeito de descumprir práticas de governança e permitir operações financeiras entre BRB e Banco Master sem garantias suficientes para sustentar as negociações.

A Polícia Federal também apura suspeitas de aquisição de carteiras de crédito problemáticas do Master pelo BRB, além de possível esquema de corrupção envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. Investigadores apontam suspeita de acordo de propina envolvendo seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões em troca de facilitação de negócios entre as instituições.

O caso segue sob investigação e envolve análise de possíveis falhas em processos internos de aprovação, governança e gestão de risco dentro do banco público do Distrito Federal.

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