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Repatriados 94 passageiros e tripulantes de navio afetado por hantavírus

Operação de retorno mobiliza autoridades internacionais e deve ser concluída nesta segunda-feira, com saída definitiva do navio rumo aos Países Baixos

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Cruzeiro MV Hondius ancorado no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, durante operação de repatriação após surto de hantavírusImagem: Divulgação
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Noventa e quatro dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetado por um surto de hantavírus, iniciaram neste domingo (10) o retorno para seus países de origem a partir da ilha espanhola de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação de repatriação ocorre em etapas e será concluída nesta segunda-feira (11), quando os dois últimos voos deixarão a região e o navio seguirá para os Países Baixos.

Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, o desembarque transcorreu sem incidentes. “94 pessoas desembarcaram, de 19 nacionalidades. A operação transcorreu com total normalidade e segurança”, afirmou após acompanhar as ações no porto de Granadilla de Abona.

Repatriação por nacionalidade

A retirada dos passageiros foi organizada por nacionalidade, contemplando 23 grupos diferentes. Os primeiros a deixar o navio foram os espanhóis, seguidos por passageiros de França, Países Baixos, Canadá, Irlanda, Turquia e Reino Unido.

Entre os passageiros encaminhados aos Países Baixos estavam um argentino e um tripulante guatemalteco, únicos latino-americanos a bordo.

Os britânicos desembarcaram em Manchester e deverão cumprir quarentena de até 72 horas em instalações próximas a Liverpool. Já nesta segunda-feira, estão previstos os últimos dois voos: um destinado à Austrália e outro aos Países Baixos, país sob cuja bandeira o navio opera.

A diretora da Proteção Civil da Espanha, Virginia Barcones, informou que o Hondius tem autorização para deixar o porto de Granadilla de Abona até as 19h locais (15h em Brasília) de segunda-feira, transportando aproximadamente 30 tripulantes.

Passageiros relatam clima controlado a bordo

Apesar da gravidade do surto, passageiros relataram que a rotina dentro do cruzeiro permaneceu relativamente estável após os primeiros casos.

O engenheiro aposentado Carlo Ferello, passageiro argentino repatriado, minimizou o cenário. Segundo ele, o ambiente a bordo não era alarmante e, após os primeiros diagnósticos, não surgiram novos casos.

“Eu estava sozinho e tinha pouco contato com outras pessoas. A vida seguiu de forma bastante normal”, relatou à imprensa argentina.

Durante o desembarque, passageiros deixaram o navio em pequenos grupos, sendo transportados em lanchas até o porto antes de seguirem para o aeroporto de Tenerife Sul.

Casos confirmados e mortes

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos registrados no cruzeiro. Três mortes foram confirmadas até o momento: dois passageiros holandeses e uma passageira alemã.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acompanhou parte da operação em Tenerife e afirmou que o risco atual para a saúde pública permanece baixo.

As autoridades classificaram a maioria dos passageiros como contatos de alto risco, mesmo permanecendo assintomáticos, razão pela qual devem cumprir quarentena ao chegar aos seus países. A exceção são os passageiros americanos, que não necessariamente serão isolados.

Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, afirmou que a situação não deve gerar pânico. “Isso não é covid”, declarou.

O Hondius havia partido de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Desde a identificação do surto, o navio permanece ancorado sem atracar oficialmente, por determinação das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que demonstraram preocupação com riscos sanitários.

Mesmo diante da resistência local, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação e afirmou que a Espanha responderá “com exemplaridade e eficácia” à crise sanitária internacional.

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