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Ibaneis sinaliza rompimento com Celina Leão e fala em “realinhamento” político no DF

Ex-governador afirma que MDB não abrirá mão do protagonismo no Distrito Federal e critica rumos do atual governo

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Ibaneis Rocha e Celina Leão durante transmissão de cargo no Governo do Distrito FederalTV Globo/Reprodução
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O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha afirmou nesta quarta-feira (20) que não seguirá politicamente ao lado da governadora Celina Leão e indicou um rompimento dentro do grupo político que comandou a capital federal nos últimos anos. A declaração foi feita por meio de vídeo publicado nas redes sociais, no qual ele demonstrou insatisfação com os rumos da atual gestão e defendeu um “realinhamento” dentro do MDB.

Segundo Ibaneis, a expectativa era de continuidade do projeto político construído durante seus anos de governo, mas, de acordo com ele, decisões recentes provocaram frustrações dentro da base aliada. “Nós apostamos na governadora Celina como um governo de continuidade daquilo que nós plantamos”, declarou.

A fala aconteceu após uma reunião realizada na residência do ex-governador, que contou com a presença de lideranças políticas importantes do MDB e aliados próximos. Entre os participantes estavam o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz, o deputado federal Rafael Prudente e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.

MDB quer manter protagonismo político

Durante a publicação, Ibaneis afirmou que o MDB pretende reorganizar sua atuação política para manter relevância no cenário do Distrito Federal. O ex-governador disse que o partido não pretende abrir mão do espaço conquistado nos últimos anos e indicou a construção de um novo projeto político.

Apesar do tom crítico, ele afirmou que o movimento não representa um afastamento definitivo de todos os aliados. “Isso não quer dizer um distanciamento irreversível”, declarou.

A manifestação pública marca uma mudança importante nas articulações políticas locais e pode impactar diretamente a disputa eleitoral dos próximos anos. Ibaneis deixou oficialmente o comando do Governo do Distrito Federal em março deste ano para cumprir a regra de desincompatibilização eleitoral, já que pretende disputar uma vaga ao Senado.

Crise do BRB ficou fora do discurso

No pronunciamento, Ibaneis não mencionou a crise envolvendo o Banco de Brasília, que ganhou repercussão após operações bilionárias realizadas com o Banco Master durante sua gestão.

O ex-governador foi citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro em depoimento prestado à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Apesar disso, Ibaneis afirma não ter participado das decisões operacionais da instituição financeira.

Após assumir o governo, Celina Leão encaminhou ao Ministério da Fazenda um pedido de garantia para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Déficit nas contas públicas também aumentou tensão

Outro ponto que ampliou o desgaste político foi a mudança promovida por Celina Leão na Secretaria de Economia do DF. O então secretário Daniel Izaías foi substituído por Valdivino de Oliveira.

Em entrevista recente à rádio CBN, o novo secretário afirmou que o Distrito Federal enfrenta um déficit orçamentário bilionário. A declaração provocou reação de Ibaneis, que responsabilizou decisões tomadas ao longo da atual gestão pela situação fiscal.

Segundo o ex-governador, ainda durante sua administração já haviam sido iniciadas medidas de ajuste fiscal para conter gastos e reorganizar as contas públicas. Ele afirmou que, caso o atual governo mantenha controle sobre despesas e consiga ampliar a arrecadação, o DF poderá encerrar o ano sem déficit.

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