Salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta quinta

Reajuste de 6,79% começa nesta quinta-feira (1º) e reflete inflação mais ganho real limitado pelo arcabouço fiscal

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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Novo salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026, com reajuste de 6,79% em relação ao valor anteriorImagem: Divulgação
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O novo valor do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, entra em vigor a partir desta quinta-feira (1º). O reajuste representa um aumento de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e leva em conta a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal.

Com esse cálculo, o valor final ficou abaixo do previsto no Orçamento de 2026, que estimava R$ 1.631, e também menor que a projeção divulgada pelo governo no fim de novembro, de R$ 1.627. A principal explicação é que a inflação considerada no período foi menor do que a esperada inicialmente.

Quem recebe o salário mínimo, ou benefícios atrelados a esse valor, como seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada, já terá o pagamento reajustado a partir do início de fevereiro.

O que é o salário mínimo

O salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber no Brasil. A Constituição estabelece que ele deve ser unificado em todo o território nacional e capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, educação, transporte e previdência social.

O texto constitucional também determina que o valor seja reajustado periodicamente para preservar o poder de compra, ao menos acompanhando a inflação do período. Na prática, isso significa que o salário não pode perder valor real frente ao aumento dos preços.

Segundo o Dieese, no entanto, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro, o equivalente a mais de quatro vezes o piso nacional vigente até então.

Regra de reajuste e política de valorização

Durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o salário mínimo foi corrigido apenas pela inflação, sem ganho real. A partir do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a vigorar a política de valorização do salário mínimo, com aumentos acima da inflação.

A regra aprovada pelo Congresso prevê que o reajuste leve em conta dois fatores: a inflação medida pelo INPC até novembro e o crescimento real do Produto Interno Bruto de dois anos antes. Para 2026, isso significaria considerar a inflação de 4,18% e o crescimento do PIB de 2024, de 3,4%.

No entanto, uma lei aprovada no fim do ano passado limitou o ganho real a 2,5%, em linha com o arcabouço fiscal. Com essa trava, o salário mínimo foi fixado em R$ 1.621.

Impacto para milhões de brasileiros

O salário mínimo serve de referência direta para cerca de 59,9 milhões de pessoas no país, segundo dados do Dieese. Além dos trabalhadores que recebem o piso nacional, aposentadorias, pensões e benefícios sociais também estão vinculados a esse valor.

O reajuste tem ainda efeitos indiretos na economia, como o aumento do salário médio e do poder de compra de parte da população, o que pode estimular o consumo.

Efeito nas contas públicas

O aumento do salário mínimo também pressiona as contas do governo federal. Isso ocorre porque diversos benefícios previdenciários e assistenciais não podem ter valor inferior ao piso nacional.

De acordo com estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera uma despesa adicional de cerca de R$ 420 milhões em 2026. Assim, o reajuste de R$ 103 em relação ao valor anterior representa um impacto aproximado de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias do próximo ano.

Com o crescimento desses gastos, o espaço para despesas discricionárias, usadas para financiar políticas públicas e investimentos, tende a ficar mais restrito.

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