Uma das mais importantes competências a serem desenvolvidas ao longo de nossas vidas diz respeito à comunicação. É por meio do uso da linguagem que pensamos, expressamos ideias e sentimentos, persuadimos e interagimos socialmente. No entanto, precisamos lembrar que tudo isso acontece dentro de um contexto em que a língua deixa de ser um conjunto de regras arbitradas e passa a ter vida na voz de um ou mais sujeitos, ou seja, passa a ser discurso. Autores que defendem essa teoria, explicam que falar não é mera transmissão de nossas ideias, mas se constitui como intencionalidade ao direcionar o pensamento do outro, nosso interlocutor.
Discurso que convence
Dito de outra forma, podemos afirmar que, ao nos comunicar, nosso discurso está impregnado por um contexto social, histórico e cultural que traz consigo intenções claras na relação entre os envolvidos nessa comunicação. Tal processo implica, portanto, um conjunto de subjetividades, de formas de ver o mundo e de lidar com as informações que estão ao nosso dispor. Em época de eleição, por exemplo, evidencia-se exatamente essa luta pelo discurso que convence. E aí está o enorme perigo que vivenciamos diante de tantas informações equivocadas (as tão conhecidas Fake News). E assim seguem as narrativas mais estapafúrdias sem qualquer lastro com a realidade.
O mecanismo é muito simples e pode ser identificado em milhões de casos. Não atoa temos tanta gente contra a regulação de redes sociais. Milhares de posts com informações seletivas são divulgados e rapidamente se espalham.
Inverdades sem filtro
Depois de desmascarados, seus autores vêm a público se retratar, mas o estrago está feito. A notícia falsa já se espalhou, pessoas foram convencidas a acreditar na primeira informação dada, a escolha por acreditar naquela informação se consolida. E não há argumento, prova, fato que mudem a perspectiva internalizada. As pessoas adotam então esse ponto de vista como seu próprio discurso e, como zumbis, repetem, repetem e repetem inverdades sem qualquer filtro.
Podemos nos perguntar qual a relação desses fatos com a educação, tema dessa coluna. E a resposta, meu caro leitor, é simples: não há como nos defender desse processo extremamente pernicioso para nossa sociedade se não nos educarmos para, desde muito cedo, ler diferentes fontes com regularidade, compreender plenamente o que lemos e interpretar as informações, considerando o contexto que as permeia. Sem lastro crítico, não haveremos de nos livrar das amarras que prendem nossos pensamentos.



