O Brasil de 2026 tem um grande protagonista: o eleitor! E este, não escolhe apenas um candidato. Pelo que percebo, escolhe um time. E, como em qualquer torcida, o importante é ganhar! E isso é o que me preocupa…
A polarização deixou de ser um fenômeno político. Virou um fenômeno psicológico. O eleitor não está mais discutindo propostas. Está defendendo uma identidade. Dizer “eu sou do time do fulano” ou “eu sou do time do ciclano” não é mais uma declaração de alinhamento ideológico partidário ou de propostas de governo. É uma sensação de pertencimento. Está mais para dizer “eu sou vascaíno” ou “eu sou flamenguista”!
Confirmação
Observo esse fenômeno com apreensão e vejo que esse comportamento tem um nome: viés de confirmação. O eleitor busca informações, factoides e narrativas que confirmem o que ele já acredita. Ele segue perfis que reforçam sua visão de mundo, seus argumentos. Ele compartilha notícias que validam ou engrandecem “seu time”. E, quando confrontado com fatos que contradizem sua crença, ele não muda de ideia. Ele muda de assunto ou briga, deixa de conversar e coisas até piores…
Em 2026, esse fenômeno atingiu um novo patamar. Pesquisas mostram que mais de 80% dos eleitores de um candidato A e do candidato B, já têm o voto definido. Isso não é convicção, é trincheira. O eleitor não está aberto a argumentos. Está fechado em sua bolha. Digo isso pois as campanhas mal começaram e as propostas não estão postas à mesa. Não houve debate, mas temos os “times praticamente fechados” para os dois principais candidatos à presidência da República.
Contudo, existe uma parte dos eleitores que escapa a essa lógica: os “sem time”. Eles representam cerca de um terço do eleitorado e são, psicologicamente, os mais interessantes (em tese). Espero que não sejam apolíticos, mas que estejam na perspectiva racional e com pouca paixão. Digo isso, pois o debate político vem se mostrando cansativo, e ter que escolher um lado para confirmar o viés de confirmação é chato!
Voto de protesto
Um eleitor sem time, pode priorizar temas concretos: segurança pública, emprego, combate a corrupção. Pode, por exemplo, focar em uma opção que queira resolver as diversas mazelas que atingem a nossa nação. Devemos fugir da armadilha do voto de protesto! Essa indignação de votar nulo, votar branco, apenas reforça um dos times e pode inclusive piorar o cenário.
Me parece que psicologicamente, o eleitor brasileiro de 2026 está exausto. A polarização cansa. O ódio ao outro drena energia. O eleitor quer paz. Quer normalidade. Quer votar sem sentir que está traindo sua família, sua fé, sua identidade.
A reflexão que fica é: até quando a política será um campo de batalha identitária? Até quando o eleitor será reduzido a uma camisa de time? A democracia exige mais do que torcida. Exige diálogo. Exige capacidade de ouvir o outro. Exige proposta, compromisso. Exige criar condições básicas de vida, controle inflacionário, investimento em pesquisa, ciência e tecnologia. Exige políticas incrementais, políticas de Estado. Exige, acima de tudo, humildade para reconhecer que o outro pode estar certo.
Narrativas vazias
Portanto, vamos avaliar como o nosso candidato pode mudar o Brasil, sem narrativas vazias, sem populismo, sem as promessas vazias de sempre! Seria muito pedir o aumento do saneamento básico, a segurança alimentar das crianças, uma educação estruturante para fomentar sujeitos críticos e protagonistas de sua vida? Focar na segurança pública, na responsabilidade fiscal?
Percebam, em poucas linhas vemos que o futuro da nação é muito mais do que narrativas de um campeonato que só quem perde somos nós! Votem com a razão e deixa a emoção para ser sentida no dia-a-dia das nossas vidas com serviços públicos de qualidade.
Em 2026, o eleitor brasileiro tem uma escolha: continuar na trincheira ou sair dela. A primeira opção é confortável. A segunda, é necessária. Porque, no fim, o inimigo não é o eleitor do outro lado. É a má política. E a má política, essa sim, mata a democracia.



