Em um caso que alcançou autoridades, integrantes do Judiciário e personagens da política nacional, a discussão deixou de ser apenas sobre o Banco Master. Passou a envolver também a credibilidade das instituições responsáveis por investigar e julgar.
O caso Banco Master ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (11) e aumentou a pressão por transparência no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, acolheu pedidos para ampliar o acesso aos documentos relacionados às investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre a retirada do sigilo.
Mendonça já havia tornado públicos o inquérito principal e outros procedimentos relacionados ao caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, avaliou que a documentação disponibilizada estava incompleta e pediu o levantamento do sigilo de todas as peças e procedimentos vinculados à Petição 15.556, preservando apenas informações cuja divulgação possa comprometer diligências em andamento.
Pressão aumenta
O pedido não partiu apenas da PGR. Alexandre de Moraes também defendeu a divulgação integral dos documentos, argumentando que a medida evitaria seleção de informações e garantiria tratamento isonômico. Cristiano Zanin, por sua vez, solicitou acesso completo às mídias extraídas do celular de Vorcaro.
É justamente o conteúdo do aparelho que colocou o Supremo no centro da crise. Relatório da Polícia Federal identificou conversas envolvendo Vorcaro e Moraes. A PGR questiona a legalidade do aprofundamento dessa apuração e já defendeu a nulidade da investigação, sob o argumento de que uma apuração contra ministro do STF deveria ter sido submetida previamente ao plenário.
Supremo sob pressão
Fachin convocou sessão extraordinária para terça-feira (15), às 10h, quando os ministros deverão analisar o relatório da Polícia Federal e questões jurídicas relacionadas à investigação.
A abertura dos documentos pode ajudar a esclarecer não apenas o conteúdo das apurações, mas também a forma como informações sensíveis vêm sendo tratadas dentro da própria Corte.
Quanto maior a dimensão do caso, maior também precisa ser a transparência, respeitados, naturalmente, os limites necessários para não comprometer investigações em andamento.



