Aprendizado emocional: o antídoto para o possível vazio das telas

Aprender emocionalmente é aprender a viver com mais consciência

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 5 Min Leitura
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Reconhecer emoções e reorganizar prioridades pode ajudar a recuperar vínculos, presença e sentido em meio ao excesso de estímulos digitaisImagem: Freepik
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Algum dia você parou e pensou: “Nossa estou conectado com tantas pessoas nas redes sociais, mas eu me sinto um pouco só…”. Este é um fenômeno que vem se tornando comum nos dias atuais, pois as telas aproximam, informam, ocupam nosso dia. Mas elas também podem ter a capacidade de nos anestesiar. E ali imerso nas notificações, podemos esquecer do essencial que é perceber o outro, e o que estamos vivendo. Esse turbilhão de estímulos, mensagens e alertas virou uma parte da nossa rotina. Tudo isso busca chamar nossa atenção o dia todo. O nosso cérebro responde com doses de recompensa por cada “novidade” que percebemos.

Silêncio estratégico

O problema é que esse ciclo de novidades se torna muito rápido, o que inviabiliza profundidade no entendimento e no processamento de tanta informação. A vida real, com o devido silêncio tão estratégico, com a paciência da espera e o aprendizado das frustrações (ou a criação de um repertório comportamental, neste sentido), pode começar a não fazer sentido nas nossas vidas.

Por conta deste cenário, é que temos que estabelecer ordem nas nossas vidas. O aprendizado emocional, pode ser uma ferramenta fundamental para isso. Desenvolver ou aperfeiçoar a capacidade de ler ambientes, reconhecer as emoções (suas e das pessoas que te cercam), e saber lidar melhor com essas experiências, pode ser a diferença entre uma vida com virtudes e uma saúde mental saudável. 

Exaustão emocional

Tenho percebido muito cansaço nas pessoas. Em algumas até uma exaustão emocional! Me pergunto: “De onde vem tanta demanda assim, para esgotar uma pessoa neste nível? ” A resposta, pode estar na pressão constante que temos de responder tudo rápido, de produzir sempre mais, de ter a ilusão que podemos acompanhar tudo ao mesmo tempo.  

É claro que é saudável a gente buscar novos conhecimentos, focar no nosso desenvolvimento profissional, em atividades diversas, mas o resultado não pode ser cobrança excessiva, comparação, sensação de atraso ou aquele vazio que não conseguimos explicar. Muita gente pode dizer: “O que você precisa é de maturidade emocional!”. Importante ter maturidade sim, mas entendendo que isso não é não se abalar nunca e com nada… Maturidade em linhas gerais é perceber a realidade, sem se destruir por causa dela. É saber ordenar as prioridades, ordenar a vida.

Reordenamento das prioridades

Entender que o sofrimento faz parte da trajetória da vida, que a tristeza aparece, mas que você não se torna menor por senti-la. Basicamente é tudo uma questão de aprendizado. E esse aprendizado é que pode ser o antídoto para o vazio que muita gente costuma dizer que sente. O aprendizado pode ajudar no reordenamento das prioridades da sua vida, na busca do bem em sua essência e das virtudes. Quando deixamos de buscar apenas estímulos rápidos e prazeres momentâneos, damos espaço a experiências que de fato agregam nas nossas vidas. Passamos a valorizar os vínculos verdadeiros, as conversas honestas e a presença real. Entendemos a importância do descanso sem culpa e da escuta sem pressa (principalmente das pessoas que amamos). Passamos assim, a perseguir a felicidade! A felicidade deixa de ser um pico momentâneo e passa a ser construída em pequenas consistências.

No fim das contas, aprender emocionalmente é aprender a viver com mais consciência. E aqui não estou falando em rejeitar a tecnologia. Apenas sugerindo que você não a deixe ocupar o lugar da experiência humana.

Trata-se de usar todas as ferramentas sem abrir mão da sensibilidade, da reflexão, do sentido e do contato verdadeiro. E isso, talvez seja um dos maiores desafios do nosso tempo: reaprender a ordenar a vida, sentir sem pressa, pensar sem ruído e viver sem depender da próxima curtida.

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Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
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Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
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