As ligações indesejadas continuam sendo uma das principais reclamações dos consumidores brasileiros, mesmo com a criação de ferramentas para reduzir esse tipo de contato. A combinação de chamadas automatizadas, adulteração de números e limitações dos sistemas de bloqueio faz com que milhões de pessoas ainda sejam alvo de telemarketing abusivo e tentativas de golpe.
Uma disputa entre empresas de telefonia também evidencia os desafios para combater o problema. Pelo menos sete operadoras acionaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para reclamar que ligações consideradas legítimas estariam sendo bloqueadas pelo sistema antispam da Vivo. A operadora afirma que a tecnologia interrompe apenas chamadas em massa sem identificação adequada.
Como funcionam as robocalls
Grande parte das ligações indesejadas é feita por sistemas automatizados, conhecidos como robocalls. Essas chamadas costumam ficar em silêncio e desligar poucos segundos depois que a pessoa atende.
A estratégia é utilizada por empresas que realizam diversas ligações simultaneamente. Quando uma chamada é atendida, as demais são encerradas automaticamente. Em muitos casos, o objetivo também é identificar quais números estão ativos para futuras campanhas de telemarketing.
Outro recurso utilizado é o chamado spoofing numérico, prática que altera o número de origem da ligação para que ele pareça ser de uma linha comum. A técnica dificulta o bloqueio pelas operadoras e pode ser usada tanto por empresas quanto por golpistas.
Limitações do Não Me Perturbe
Criado para reduzir o telemarketing, o serviço Não Me Perturbe permite bloquear ligações de operadoras de telefonia e de dezenas de instituições financeiras participantes.
O cadastro é gratuito e passa a valer em até 30 dias. No entanto, a ferramenta não impede chamadas feitas por empresas que não aderiram ao programa nem ligações fraudulentas ou realizadas por golpistas.
Ferramentas ajudam a reduzir chamadas
Além do Não Me Perturbe, consumidores podem utilizar recursos disponíveis nos próprios celulares para identificar e bloquear chamadas suspeitas.
Aplicativos como Whoscall e Truecaller também ajudam a identificar quem está ligando e permitem bloquear números classificados como spam. Outra alternativa é impedir chamadas de números desconhecidos, embora essa opção possa fazer com que ligações importantes também sejam perdidas.
A Anatel orienta ainda que consumidores registrem reclamações sempre que enfrentarem ligações abusivas e utilizem a plataforma Qual Empresa Me Ligou para identificar a empresa responsável por determinado número telefônico.
Origem Verificada é aposta para reduzir fraudes
A principal aposta da Anatel para combater ligações abusivas é o sistema Origem Verificada, que autentica chamadas em tempo real e confirma que o número exibido realmente pertence à empresa que está realizando o contato.
Segundo a Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom), o sistema autenticou 6,6 bilhões de ligações em junho de 2026.
Atualmente, empresas que realizam mais de 500 mil chamadas mensais já precisam utilizar a ferramenta. A obrigatoriedade para todas as empresas entra em vigor a partir de outubro de 2028.
O serviço é gratuito para os consumidores e funciona em celulares compatíveis conectados às redes 4G ou 5G, permitindo exibir o nome da empresa, seu logotipo e o motivo da ligação quando essas informações estiverem disponíveis.


