O céu limpo e o sol forte escondem um risco que já faz parte da rotina de quem vive no Distrito Federal. Na quarta-feira (22), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou a capital em alerta amarelo para baixa umidade, com índices entre 20% e 30% nas horas mais quentes. A previsão indica que o tempo seco deve continuar por pelo menos sete dias, ampliando os cuidados com a saúde e o perigo de incêndios florestais.
A condição é provocada por uma massa de ar seco e estável, associada a um sistema de alta pressão. Esse bloqueio dificulta a formação de nuvens, afasta a possibilidade de chuva e favorece o aquecimento durante o dia. Embora julho já faça parte do período tradicional de estiagem no Planalto Central, a queda acentuada da umidade exige mudanças na rotina.
Quando o ar fica seco, o organismo perde água com maior facilidade. Pele e mucosas ressecam, olhos, nariz e garganta ficam irritados e aumentam os episódios de sangramento nasal. Pessoas com asma, rinite e outras doenças respiratórias também podem apresentar agravamento dos sintomas. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores expostos ao sol e animais precisam de atenção especial.
Hidratação reforçada
A principal orientação é beber água ao longo de todo o dia, mesmo antes de sentir sede. A nutricionista Camila Lima, da Secretaria de Saúde do DF, explica que a desidratação pode provocar tontura, mal-estar, irritabilidade e dificuldade de concentração. “Às vezes a pessoa está com sede e fica querendo beliscar algo toda hora, sentindo ‘fome’, quando na verdade o que ela está sentindo é sede”, alerta.
Também é recomendado evitar exercícios físicos e exposição direta ao sol nos horários mais quentes, usar roupas leves, aplicar hidratante na pele e soro fisiológico nas narinas. Os ambientes podem ser umidificados, mas sem exagero. Segundo orientação médica da rede pública, o aparelho deve permanecer ligado por apenas algumas horas, pois o excesso de umidade favorece a proliferação de mofo e ácaros.
O histórico mostra que o DF pode enfrentar situações ainda mais severas. Em setembro de 2024, uma estação do Inmet no Gama registrou apenas 7% de umidade. Na área central de Brasília, o menor índice chegou a 10% no mesmo mês. Os números reforçam que o alerta atual não deve ser tratado como simples desconforto: o tempo seco afeta a saúde, aumenta o risco de queimadas e exige prevenção coletiva.



