O Brasil atingiu o limite da cota anual de exportação de carne bovina para a China com tarifa reduzida, o que deve diminuir os embarques ao país asiático até o fim de 2026. Apesar disso, consumidores brasileiros não devem esperar uma queda no preço da carne. A projeção de analistas é de que o produto fique ainda mais caro nos últimos meses do ano.
A China, principal destino da carne bovina brasileira, permite a importação de até 1,1 milhão de toneladas por ano com tarifa de 12%. Após esse volume, a taxa sobe para 55%, reduzindo a competitividade da carne brasileira e tornando as exportações menos atrativas.
Menor oferta deve pressionar os preços
Mesmo com a desaceleração das vendas para a China, os frigoríficos têm reduzido o abate de bovinos. Segundo especialistas do setor, isso impede que haja excesso de carne no mercado interno, mantendo os preços elevados.
Dados do setor mostram que o número de animais abatidos caiu quase 3% entre maio de 2025 e maio de 2026, tendência que deve continuar nos próximos meses. Enquanto isso, o preço do boi gordo recuou do recorde de R$ 365 por arroba, registrado em abril, para cerca de R$ 330.
De acordo com analistas, a pecuária trabalha com ciclos longos de produção, o que dificulta uma redução rápida da oferta de animais conforme as mudanças do mercado.
Fim do ano deve aumentar pressão sobre o mercado
A expectativa é que, no último bimestre de 2026, os frigoríficos passem a preparar os embarques destinados à China para janeiro de 2027, quando a cota anual será renovada.
Além disso, a previsão de clima seco provocada pelo super El Niño pode reduzir a qualidade das pastagens, diminuindo ainda mais a disponibilidade de animais para abate. Somado ao aumento tradicional do consumo durante as festas de fim de ano, o cenário tende a elevar os preços da carne no mercado brasileiro.
Preço pode ficar estável no curto prazo
Especialistas avaliam que a demanda interna ainda permanece fraca, o que impede uma alta imediata nos preços ao consumidor. A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo também reduziu a expectativa de aumento no consumo durante o torneio.
Além disso, as férias coletivas adotadas por alguns frigoríficos não representam aumento da oferta de carne no mercado interno, mas apenas uma reorganização da produção.
Exportadores buscam novos mercados
Embora a redução das vendas para a China possa representar perdas bilionárias ao setor, analistas afirmam que o impacto tende a ser parcialmente compensado pela busca de novos compradores.
O Brasil já ampliou as exportações para outros mercados da América do Sul e também pode fornecer carne a países que mantêm cotas de exportação para a China, ajudando essas nações a atender tanto o consumo interno quanto a demanda chinesa.
Especialistas também não descartam que o governo chinês reveja as restrições caso os preços da carne continuem elevados no país, aumentando novamente a necessidade de importações brasileiras.



