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Órfãos de exemplo: uma geração que deve aprender a viver sem seus heróis

Sejamos nós os heróis do presente! Afinal o legado não morre ele nos espera para ser vivido

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 3 Min Leitura
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Imagem: IA
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Imagine o cheiro de pipoca queimada na sala de TV, o som abafado narrando curvas impossíveis e a disputa cerrada na Itália. O ano de 1994, eu com 14 anos, grudado na tela quando Ayrton Senna, colidia em Ímola. O mundo parou! Senna não pilotava carros apenas; ele domava seus medos com uma garra indizível, e uma dedicação que nos fazia pular do sofá gritando “Vai, Ayrton!”.

Pois bem, ele se foi naquele dia, e mais um pedaço do nosso Olimpo desabou!
Nossa geração – a dos 40+, que cresceu no analógico, rebobinando fitas VHS de filmes como “de volta para o futuro”, agora enterra seus heróis um a um, e não somente isso, com eles perdemos muitas das referências de vida.

E lá se vão, tantas e tantas referências… Oscar Niemeyer, o mago da arquitetura moderna; no jornalismo, Glória Maria, nossa destemida jornalista que sempre aparecia em lugares inusitados e desafiadores, mostrando que a coragem e a determinação era possível para todos nós! A voz marcante do Leo Batista, que nos acompanhava enquanto os lances do eterno Roberto Dinamite, explodiam na TV! E as bandas? As músicas? Renato Russo da Legião Urbana, Raul Seixas (quem nunca gritou: Toca Raul!).

Grandes exemplos, ícones de um tempo em que honra trabalho duro, dedicação, amizade e lealdade eram o norte que nos inspirava! Esses gigantes, forjados em suor, respeito e conteúdo profundo – nos ensinaram a viver com paixão: ler Drummond à luz de vela, dançar samba na Lapa lotada, torcer com o coração na mão num maracanã com mais de 120 mil pessoas. Que saudade daquela época! Heróis que duraram décadas, moldando almas com exemplos de resiliência.

Geração de likes

E hoje? Uma cultura voraz de likes e conteúdos efêmeros. Ídolos de uma semana: o dançarino do Reels que alguns não esquecem, a celebridade do Twitter que implode em 24 horas.

Nada forja o caráter de antes. O scroll infinito nos embala em ilusões passageiras, sem a substância! Me sinto órfão, aliás somos órfãos, sim, mas determinado com a urgência de resgatar isso porque o analógico em nós deve pulsar mais forte que qualquer algoritmo!

Sejamos nós então os heróis do presente! Afinal o legado não morre – ele nos espera para ser vivido, que tenhamos então a árdua missão de mostrar aos mais novos, que a vida deve ser muito mais que uma tela brilhante com personagens de 30 segundos…

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Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
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Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
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