Na coluna de hoje, trago como mote a valorização da cultura local como ponto de partida para a formação integral de nossas crianças e adolescentes. Essa reflexão me surgiu ao assistir à entrega do Prêmio LED – Luz na Educação de 2026, cujos premiados, perceptivelmente, pensaram soluções que dessem respostas a demandas e necessidades das comunidades locais. Marcou-me sobremaneira a percepção sensível de jovens e professores sobre a realidade e as premências que geraram o engajamento aos projetos propostos que os mobilizaram a pesquisar, a aprender e, acima de tudo, a compartilhar o que aprenderam, trazendo soluções práticas para os problemas que levantaram.
Tais ações, sem dúvida alguma, atendem a inúmeros aspectos relacionados à formação cidadã e emancipatória das novas gerações de homens e mulheres e devem ser valorizadas e compartidas de maneira a gerar a multiplicação de práticas que gerem aprendizagens de fato significativas. A educação enfrenta o desafio de tornar o aprendizado algo vivo e conectado com a realidade.
Nesse contexto, pensar a partir das necessidades locais configura-se como um alicerce que dá sentido ao conhecimento, especialmente para uma geração que busca respostas imediatas e aplicabilidade prática para o que aprendem.
Integração de saberes
Para além dos problemas e das necessidades, quando a escola e as famílias integram os saberes, as tradições e a história da própria comunidade ao cotidiano das crianças e dos adolescentes, o aprendizado deixa de ser uma abstração teórica para se tornar uma experiência de pertencimento. O estudante deixa de ser um mero espectador de informações que lhe são passadas e atua de forma autônoma como protagonista da sua própria realidade.
Essa contextualização do conhecimento gera uma compreensão sobre o seu espaço no mundo, sendo o primeiro passo para o desenvolvimento de uma consciência coletiva que pressupõe responsabilidade social. Acredita-se, assim, que indivíduos que aprendem a valorizar a própria história e as suas raízes locais tornam-se mais aptos a reconhecer e acolher a diversidade e os saberes de outros povos com empatia e curiosidade genuína.
Desenvolvimento do olhar crítico e propositivo
Ao pensar sobre os conhecimentos que estuda e, portanto, pensar o contexto local como um laboratório vivo, nossas crianças e adolescentes passam a identificar as riquezas e os desafios de sua comunidade com um olhar crítico e propositivo. São imbuídos de um sentimento de partilha e percebem que suas ações podem impactar diretamente no bem-estar da comunidade onde vivem. E como propõe a BNCC, em sua terceira competência geral, é preciso “Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural”.
Dessa forma, a cultura local consolida-se como uma ferramenta poderosa para formar cidadãos que não apenas conhecem o mundo, mas que têm orgulho de sua origem e compromisso com a transformação do futuro.




