Os preços das passagens aéreas no Brasil podem subir entre 10% e 20% nos próximos meses, após o aumento expressivo no valor do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras nesta semana. O reajuste, superior a 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras, impacta diretamente os custos operacionais das companhias aéreas, que têm no QAV quase metade de suas despesas.
A alta é reflexo do avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com isso, especialistas apontam que o custo para transportar passageiros tende a subir significativamente, o que pode ser repassado ao consumidor final.
Impacto direto nos preços e na demanda
De acordo com especialistas do setor, o impacto nas passagens deve ficar, em média, em torno de 15%. No entanto, o repasse pode não ser imediato, já que depende de fatores como a ocupação dos voos e a estratégia comercial de cada empresa aérea.
Além do aumento de preços, o cenário pode provocar redução na demanda. A estimativa é que, para cada 1% de alta nas passagens, haja uma queda proporcional na procura, especialmente em viagens de lazer, que são mais sensíveis ao preço.
Com a possível diminuição no número de passageiros, companhias podem optar por cortar rotas menos rentáveis, reduzindo a oferta de voos e impactando a conectividade aérea no país.
Combustível passa a pesar mais no custo das empresas
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou que o reajuste pode trazer “consequências severas” para o setor. Segundo a entidade, o combustível, que já representava mais de 30% dos custos operacionais, agora deve atingir cerca de 45%.
A associação também destacou que o aumento pode dificultar a abertura de novas rotas e comprometer a expansão dos serviços, limitando o acesso ao transporte aéreo no Brasil.
Medidas para tentar conter os impactos
Para amenizar os efeitos do reajuste, a Petrobras anunciou que parte do aumento será parcelada. Em abril, as distribuidoras pagarão uma alta de 18%, enquanto o restante será dividido em seis parcelas a partir de julho.
Paralelamente, o governo federal avalia medidas para reduzir a pressão sobre o setor. Entre as propostas estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, diminuição do IOF em operações financeiras das companhias aéreas e corte no Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.
Outra alternativa em estudo é a criação de uma linha temporária do Fundo Nacional da Aviação Civil para financiar a compra de combustível.
Cenário internacional pressiona mercado
Mesmo com a maior parte do querosene consumido no Brasil sendo produzido internamente, os preços seguem a paridade internacional. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, ampliando os custos para o setor aéreo.
O Ministério da Fazenda informou que monitora constantemente o cenário global e seus impactos na economia brasileira, e que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade fiscal.
A combinação de alta nos custos, possível redução na demanda e incertezas no mercado internacional coloca o setor aéreo em alerta, com reflexos diretos para os consumidores brasileiros.




