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DF suspende adiantamento salarial do PicPay após suspeitas de cobranças indevidas

Tribunal de Contas aponta possível cobrança de juros disfarçados e caso entra na mira de investigação no Congresso

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Serviço de adiantamento salarial do PicPay é suspenso no DF após apontamentos do Tribunal de Contas sobre possíveis cobranças irregularesImagem: Arquivo/Agência Brasília
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O serviço de adiantamento salarial oferecido pelo PicPay a servidores do Distrito Federal foi suspenso pela Secretaria de Economia após o Tribunal de Contas do DF identificar indícios de cobrança irregular de tarifas nos contracheques. A decisão foi tomada após recomendação do órgão de controle, que também questiona a natureza das taxas aplicadas.

O caso também passou a ser investigado pela CPMI do INSS após alertas enviados pelo Banco Santander ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os informes apontam que o escritório ligado ao governador Ibaneis Rocha recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F poucos dias após o credenciamento do PicPay junto ao GDF.

Taxa ou juro

Segundo o Tribunal de Contas, o PicPay cobrava dos servidores uma “taxa de antecipação” pelo uso do serviço, embora o produto fosse divulgado como isento de juros. Para o órgão, a cobrança tem natureza econômica de custo de crédito, caracterizando-se, na prática, como juros.

O banco digital afirma que não há irregularidades e sustenta que a tarifa é opcional, aplicada apenas quando o servidor escolhe receber o valor em conta corrente. De acordo com a empresa, o adiantamento pode ser feito sem custo quando disponibilizado via cartão.

Crescimento do serviço

O relatório do Tribunal também aponta aumento expressivo na adesão ao programa. Em cerca de dois anos, foram movimentados R$ 81,6 milhões por meio do adiantamento salarial.

Em 2024, o volume registrado foi de R$ 11,7 milhões. Já em 2025, mesmo com dados parciais, o valor ultrapassa R$ 70 milhões. A Secretaria de Economia atribui o crescimento ao início da operação no fim de 2024 e à maior divulgação do serviço ao longo do ano seguinte.

Repasses sob análise

As investigações também incluem transferências financeiras do grupo J&F ao escritório de advocacia de Ibaneis Rocha. De acordo com os dados, foram R$ 34 milhões repassados em 15 operações entre outubro de 2024 e outubro de 2025.

Os registros indicam pagamentos recorrentes de R$ 1 milhão no início de cada mês, além de uma transferência de R$ 5 milhões em dezembro de 2024. Os documentos mostram ainda que o contrato com o PicPay foi assinado em 16 de setembro, com publicação oficial do credenciamento no fim daquele mês.

A J&F nega qualquer relação entre os pagamentos e decisões do Governo do Distrito Federal e afirma que os serviços prestados pelo escritório são antigos e regulares. O escritório também rebateu suspeitas e destacou atuação técnica e dentro da legalidade.

Suspensão e próximos passos

Diante das conclusões preliminares, o Tribunal recomendou a suspensão de novos descontos, medida já adotada pela Secretaria de Economia. O órgão também orientou que o adiantamento seja classificado como consignação facultativa, exigindo autorização prévia dos servidores.

O modelo segue em análise, e a retomada do serviço dependerá de novas avaliações do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

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