A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou na segunda-feira 1º que o Governo do Distrito Federal iniciará a ocupação do Centro Administrativo de Taguatinga (Centrad), complexo que permaneceu sem utilização efetiva desde sua inauguração, realizada há 12 anos.
De acordo com o GDF, a primeira estrutura a ser transferida para o local será a Secretaria de Obras e Infraestrutura. A medida faz parte de um plano para reduzir gastos com aluguéis de imóveis atualmente utilizados por órgãos da administração pública.
O gabinete da governadora também deverá ser instalado no complexo. Até o momento, o governo não divulgou estimativas sobre os custos necessários para adaptação dos espaços, aquisição de mobiliário e manutenção das áreas que permaneceram desocupadas por mais de uma década.
Histórico marcado por impasses
O Centrad foi construído por meio de uma parceria público-privada (PPP) firmada entre o GDF e um consórcio formado pelas empresas Via Engenharia e Odebrecht. O contrato previa investimentos estimados em R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos.
Além da construção, as empresas seriam responsáveis por serviços de manutenção, limpeza e segurança do complexo, recebendo uma contraprestação mensal de aproximadamente R$ 17 milhões após a ocupação do espaço. Como o projeto nunca entrou em funcionamento, esses pagamentos não chegaram a ser realizados.
As empresas alegam ter investido cerca de R$ 1,5 bilhão na obra e buscam recuperar os recursos aplicados. Em 2020, porém, a Justiça do Distrito Federal proibiu qualquer repasse financeiro do governo ao consórcio.
Desde a anulação da PPP, em 2022, o próprio GDF passou a assumir despesas relacionadas à segurança do local, que frequentemente enfrenta problemas como invasões, vandalismo e depredação.
Linha do tempo do Centrad
2009 – Início das obras do Centro Administrativo de Taguatinga por meio de uma parceria público-privada entre o GDF e o consórcio formado pela Via Engenharia e Odebrecht.
2014 – O então governador Agnelo Queiroz inaugura o complexo no último dia de mandato, mesmo com obras ainda inacabadas.
2015 – O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios se manifesta contra a ocupação do espaço e o empreendimento não recebe a Carta de Habite-se.
2015 – O governador Rodrigo Rollemberg desiste da transferência da administração pública para o local devido às irregularidades apontadas.
2017 – Durante investigações da Operação Lava Jato, surgem denúncias sobre supostos acordos irregulares e repasses ilícitos relacionados ao projeto.
2017 – O GDF cria uma comissão para avaliar a anulação do contrato da PPP.
2019 – O governador Ibaneis Rocha afirma que o Centrad seria ocupado nos primeiros meses de sua gestão.
2019 – O Ministério Público de Contas solicita ao Tribunal de Contas do Distrito Federal que impeça a transferência dos órgãos para o complexo, alegando falta de vantagem econômica.
2020 – A Justiça do Distrito Federal proíbe repasses financeiros do governo ao consórcio responsável pela obra.
2022 – O Governo do Distrito Federal consegue anular o contrato com as empresas e desfaz oficialmente a PPP.
2024 – Integrantes do governo anunciam a retomada dos planos para ocupação do complexo.
2025 – Novos anúncios são feitos sobre obras, editais e intervenções viárias necessárias para viabilizar o funcionamento do Centro Administrativo, mas nenhuma mudança efetiva ocorre.
2026 – A governadora Celina Leão anuncia o início da ocupação do Centrad, com a transferência da Secretaria de Obras e Infraestrutura como primeira etapa do processo.



