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Daniel Vorcaro trocou mensagens com Alexandre Moraes no dia em que foi preso pela 1ª vez

Novos prints de conversas que teriam sido enviadas ao ministro do STF horas antes da primeira prisão do dono do Banco Master

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 6 Min Leitura
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Em novembro de 2025. A defesa questiona a divulgação do material e pede investigação sobre possível vazamento de dadosImagem: Reprodução
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Uma reportagem publicada na madrugada desta sexta-feira (6) pela jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, revelou novos prints de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez.

Segundo a publicação, às 7h19 daquele dia, Vorcaro teria enviado uma mensagem a Moraes pelo WhatsApp. O conteúdo não aparece diretamente no aplicativo porque o link da conversa leva a um bloco de notas do celular do empresário. No texto, o banqueiro afirma que tentava antecipar negociações com investidores e menciona movimentações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), além de comentar que o tema discutido entre eles estaria começando a “vazar”.

De acordo com a reportagem, o ministro respondeu às 8h16, mas o conteúdo da mensagem não pôde ser recuperado, pois teria sido enviado em formato de visualização única, que se apaga após a leitura.

No fim da tarde, às 17h22, Vorcaro teria enviado um novo texto, novamente por meio de link para o bloco de notas, afirmando que estava tentando “salvar” a situação e que anunciaria parte de uma transação. Minutos depois, às 17h26, questionou novamente o ministro perguntando se havia alguma novidade ou possibilidade de bloquear algo. Moraes respondeu em seguida, mas, segundo a reportagem, as mensagens também foram enviadas em formato de visualização única.

Horas depois, às 19h58, o banqueiro voltou a perguntar se havia novidades. Às 20h48, enviou outra mensagem dizendo que havia feito o possível dentro da situação e que seguiria para assinar com investidores estrangeiros.

Menos de uma hora depois dessa troca, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, movimento que, de acordo com a reportagem, coincide com o que Vorcaro descrevia nas mensagens. O negócio, porém, não chegou a se concretizar. Na manhã seguinte, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Ainda na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal do Brasil no Aeroporto de Guarulhos, sob suspeita de tentar deixar o país em um avião particular com destino a Malta.

Suposto encontro citado em mensagens

O nome de Alexandre de Moraes também aparece em conversas trocadas por Vorcaro com a então namorada, a blogueira Martha Graeff. Em uma das mensagens, o banqueiro sugere que teria se encontrado com o ministro em abril de 2025.

Os diálogos fazem parte de material obtido pela Polícia Federal após a quebra de sigilo telemático de Vorcaro. O conteúdo foi posteriormente enviado à comissão parlamentar de inquérito que investiga fraudes no sistema previdenciário.

Em uma conversa, o empresário afirma que iria se encontrar com “Alexandre Moraes” em Campos. Em outro momento, durante uma chamada de vídeo com a namorada, ela pergunta quem era o primeiro homem que havia aparecido na ligação. Vorcaro responde: “Alexandre Moraes”.

Defesa contesta divulgação

Após a divulgação dos diálogos pela imprensa, o STF informou em nota que o ministro Alexandre de Moraes não recebeu as mensagens mencionadas nas reportagens. A Corte afirmou ainda que se trata de uma “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou nesta sexta-feira que ainda não teve acesso completo ao material extraído dos celulares do empresário. Segundo os advogados, o espelhamento dos dados foi entregue à equipe jurídica apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD recebido foi lacrado imediatamente para preservar o sigilo.

Os defensores também afirmaram que conversas pessoais, íntimas e diálogos envolvendo terceiros podem ter sido editados ou retirados de contexto antes de serem divulgados pela imprensa. Diante disso, pediram ao STF a abertura de um inquérito para investigar a origem dos vazamentos e solicitaram que a Polícia Federal apresente a lista de pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.

Crise do Banco Master

A crise envolvendo o Banco Master ganhou força em novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O grupo financeiro enfrentava forte pressão por risco de insolvência, agravada pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados de alto risco.

Entre os sinais de alerta no mercado estavam produtos financeiros com remuneração muito acima da média, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela instituição.

Tentativas de venda do banco, incluindo uma negociação com o Banco de Brasília, não avançaram. As tratativas foram interrompidas após questionamentos de órgãos de controle, dúvidas sobre transparência e a citação do banco em investigações em andamento.

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