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Bolsonaro atribui violação da tornozeleira a “surto” por remédios, e Justiça mantém prisão preventiva

Ex-presidente afirmou em audiência que teve alucinações provocadas por interação medicamentosa; boletim médico confirma quadro de confusão, mas juíza decide manter a prisão após avaliar legalidade da atuação da PF

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Jair Bolsonaro afirmou, na audiência de custódia, que teve alucinações provocadas pela interação de medicamentos e que isso o levou a tentar abrir a tornozeleiraImagem: Reprodução
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O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou à Justiça que tentou abrir a tornozeleira eletrônica por causa de um “surto” desencadeado pelo uso combinado de pregabalina e sertralina. Segundo ele, o episódio teria causado alucinações e a falsa impressão de que o equipamento estaria sendo usado para espionagem. Apesar da justificativa, a juíza responsável pela audiência de custódia decidiu manter a prisão preventiva.

Nos relatos apresentados à Justiça, Bolsonaro negou qualquer tentativa de fuga. Ele afirmou que começou a tomar um dos medicamentos poucos dias antes dos fatos que levaram à prisão e que não se recorda de ter vivido situação semelhante anteriormente.

Avaliação médica e interação entre os remédios

Um boletim divulgado pela equipe médica que acompanha o ex-presidente informou que Bolsonaro apresentou confusão mental e alucinações na noite de sexta-feira. Os médicos apontaram que a pregabalina, prescrita por outro profissional, teve interação relevante com medicamentos que ele já utilizava para tratar crises de soluço, como clorpromazina e gabapentina.

Segundo o documento, essa combinação pode causar sedação, desorientação, dificuldades cognitivas, alterações de equilíbrio e, em casos menos comuns, alucinações. Diante do episódio, a pregabalina foi suspensa imediatamente.

Especialistas em psiquiatria explicam que a sertralina e a pregabalina normalmente não causam alucinações de forma isolada, mas podem provocar sonolência, confusão ou reações individuais mais intensas em pacientes idosos ou com metabolismo mais lento. Cada organismo responde de maneira distinta, o que impede descartar totalmente efeitos incomuns sem análise detalhada do paciente.

O que são pregabalina e sertralina

A pregabalina é usada para tratar dor neuropática, transtorno de ansiedade generalizada, epilepsia e fibromialgia. Seus efeitos variam desde sintomas leves, como tontura e náusea, até reações menos frequentes, que incluem alterações de humor, desorientação e, em situações raras, alucinações.

A sertralina é um antidepressivo indicado para depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e estresse pós-traumático. Entre os efeitos adversos mais comuns estão tontura, náusea, insônia e sudorese. Episódios de agitação intensa ou mudanças bruscas de humor são menos frequentes, mas podem ocorrer.

O que aconteceu na audiência de custódia

De acordo com a ata da audiência, Bolsonaro afirmou ter acreditado que havia uma escuta instalada na tornozeleira e, por isso, tentou abrir o equipamento. O ex-presidente disse que não se lembrava de outro episódio semelhante e relacionou o comportamento ao início recente do uso da pregabalina.

A audiência de custódia serve para verificar se a prisão respeitou os procedimentos legais e os direitos do detido. Após analisar a atuação da Polícia Federal, a juíza concluiu que não houve irregularidades e que a prisão preventiva deveria ser mantida.

Próximos passos

Nesta segunda-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal vai decidir se mantém a ordem de prisão ou se a revoga. Participam do julgamento os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Alexandre de Moraes não vota, pois foi ele quem determinou a prisão.

Caso a decisão seja confirmada, a prisão preventiva poderá continuar por tempo indeterminado, com reavaliação a cada noventa dias, conforme determina a lei. Bolsonaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, com atendimento médico integral.

Condenação pela tentativa de golpe

Bolsonaro foi condenado a vinte e sete anos e três meses pela trama golpista, mas a prisão atual não decorre dessa condenação porque o prazo para recursos ainda está aberto. A defesa do ex-presidente e de outros aliados tem até esta segunda-feira para apresentar novos recursos. Como a pena aplicada supera oito anos, Bolsonaro deverá iniciar o cumprimento em regime fechado quando o processo transitar em julgado.

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