A mais recente pesquisa Genial/Quaest trouxe um novo componente ao debate eleitoral: Lula e Jair Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um possível segundo turno. O presidente soma 42% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro registra 39%, diferença dentro da margem de erro. Mesmo inelegível desde setembro e cumprindo prisão domiciliar, o ex-presidente mantém força entre seus apoiadores mais fiéis e recupera terreno perdido nos últimos meses.
O resultado contrasta com o levantamento de outubro, quando Lula liderava com folga todos os cenários. A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros entre 6 e 9 de novembro e tem índice de confiança de 95%. A oscilação não ocorre apenas no confronto direto com Bolsonaro. Contra Tarcísio de Freitas, por exemplo, a vantagem de Lula caiu de 15 para apenas 5 pontos, mostrando um ambiente mais competitivo.
O movimento coincide com um momento de estabilidade negativa na popularidade do governo. Outro estudo da Quaest apontou que a aprovação de Lula caiu de 48% para 47%, enquanto a desaprovação subiu para 50%. A Paraná Pesquisas também identificou interrupção na melhora da imagem presidencial.
Pontos de desgaste
Para analistas, três fatores recentes ajudam a explicar o cenário. A viagem à Malásia, marcada por uma agenda positiva e encontro amistoso com Donald Trump, reforçou a imagem internacional do presidente. Porém, declarações polêmicas sobre tráfico de drogas, interpretadas como condescendentes, e a repercussão da operação Contenção, no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos geraram forte desgaste. A demora de Lula em comentar o episódio ampliou pressões e críticas nas redes sociais.
Os números da Quaest revelam, portanto, um momento de desafio político: manter a base mobilizada, conter o avanço da desaprovação e reconquistar parte do eleitorado que vinha demonstrando confiança em seu governo. Com o cenário mais apertado, cada movimento do Planalto tende a ganhar ainda mais peso nos próximos meses.




