Ad image

Banco Central eleva Selic para 12,25% e prevê novos aumentos

Com última decisão de Campos Neto, Copom prepara terreno para ajustes ainda mais altos em 2025

Giza Soares
Por Giza Soares 3 Min Leitura
3 Min Leitura
Decisão marca o fim do ciclo anual com foco no controle inflacionárioImagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Ouça o post

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic para 12,25% ao ano, marcando um aumento de 1 ponto percentual em sua última reunião de 2024. A medida, aprovada por unanimidade, reflete o esforço da autoridade monetária para conter a inflação que, mesmo após meses de esforço, segue resistente. Este é o maior ajuste do governo Lula e o mais significativo desde fevereiro de 2022.

No comunicado divulgado após o encontro, o Copom indicou que o ciclo de alta não deve parar por aqui. As reuniões de janeiro e março de 2025 podem trazer novos ajustes na mesma magnitude, o que eleva a Selic para 14,25% no início do próximo ano, caso as condições econômicas não mudem.

A decisão reflete um cenário econômico marcado por incertezas internas e externas. No Brasil, a inflação acumulada já ultrapassa a meta do Conselho Monetário Nacional, impulsionada pelo aumento no custo de alimentos e bebidas, agravado pela alta do dólar, que superou os R$6 pela primeira vez. Além disso, os ruídos em torno das contas públicas, com pacotes fiscais considerados insuficientes pelo mercado, intensificaram a desvalorização cambial e aumentaram o risco fiscal.

O impacto no cotidiano

A Selic, principal ferramenta do Banco Central para regular a inflação, afeta diretamente o custo de crédito no país. Empréstimos, financiamentos e até investimentos em renda fixa sofrem influência direta desses impostos, tornando o acesso a crédito mais caro para consumidores e empresas. Enquanto isso, o cenário externo, com incertezas em relação à política monetária do Federal Reserve, reforça o contexto desafiador.

Um adeus simbólico

A reunião também marcou a demissão de Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central. Durante sua gestão, Campos Neto fez críticas ao governo por cumprir manter juros elevados por tempo prolongado. Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária e indicado pelo presidente Lula, assumirá o comando da instituição em janeiro, herdando a missão de equilibrar o crescimento econômico e o controle inflacionário.

Para os próximos meses, o Banco Central deixou claro: os ajustes serão feitos conforme necessário, e o combate à inflação permanecerá como prioridade. Enquanto isso, os brasileiros enfrentam um cenário de crédito mais restrito e previsível, aguardando que as medidas surtem efeito no médio prazo.

Compartilhe esse Artigo
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights